Coisas do Coração

Perdi o direito de me matar

Posted in Coração by adilson borges on 9 de agosto de 2009
Manhã geada em Monte Verde ( Minas Gerais)

Manhã geada em Monte Verde ( Minas Gerais)

ferias 2009 são paulo, monte verde e rio 19jun a 4 julho 296Voltar  a trabalhar após quatro meses, somadas  licença e férias, foi como concluir um rito de passagem. Tudo parece novo e  transborda entusiasmo, apesar dos velhos e desgastantes problemas, que ficam mais evidentes para quem se reencontra com a rotina após momentos inesquecíveis. Momentos de medo, dúvidas e  dores concretas,  prazeres intransferíveis, deliciosas viagens, dias e noites de maravilhas.

Tudo é realmente novo e entusiasma, não é só aparência. O corpo, este fardo que arrastamos  pela vida,  está mais leve. Nada a ver com a cirurgia de pontes de safena e mamária, talvez seja consequência de maior cuidado com a alimentação e das longas e agradáveis caminhadas diárias.

Mantido há cerca de 15 anos,  o ritual matutino do remédio para controle da pressão já parece anacrônico.  Nada a ver com a cirurgia do coração. Os médicos, sem segurança aparente, explicavam que  o surpreendente equilíbrio teria a ver com a perda de peso e com a distância da “vida real”. A volta à “realidade”, portanto, exige  especial atenção ao tensiômetro. 

 Menos de um mês no campo de batalha da redação política pode ser pouco para conclusão,  mas até agora, se não são excelentes como no mapeamento de 24 horas, realizado àsvésperas do retorno,  as medidas merecem comemoração: 130 X 80, 140 X 90, 130 X 80, 120 X 8.

São, portanto, cerca de 180 dias sem remédio para pressão. Apesar do recorde admirável, o alerta será mantido, com medições pelo menos a cada  três dias neste primeiro mês da volta ao mar revolto.  Se houver alteração, retoma-se o rito matinal, sem problema. Pílula não dói. E viva a realidade. 

 Feia ou bonita,  dela não se pode escapar.

Minuto da filosofia: 

 Salvar minha vida foi muito doloroso e caro. Perdi o direito moral de me matar.

(Adilson Borges)

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Eu entrevistei Michael Jackson

Posted in Coração by adilson borges on 14 de julho de 2009

Cercado por seguranças, um deles hasteando um guarda-chuva preto sobre a sua cabeça, o famoso ídolo pop circula pelas ruas de Salvador neste Carnaval. Segunda-feira, passou pelo Campo Grande, logo depois do bloco Muquiranas, e causou grande alvoroço. Mas manteve aquele ar de “me deixe sozinho (Let me alone)”

Os meninos apontam e correm para ver. As meninas gritam e tentam furar o cerco para, pelo menos, tocar-lhe o braço, que era preto, ainda não é branco, mas está em irrefreável processo de branqueamento. Nós somos as crianças (We are the children), parecem gritar. 

As mulheres-maravilha das Muquiranas fazem escândalo e pulam sobre os 15 rapazes de óculos escuros, camisa branca de manga comprida, que protegem o artista. O cara é meu (The guy is mine), berram.

Os braços magros não aguentam a pressão das mulheres-maravilha. Resultado: a corrente se quebra, a rodinha se abre, alguns seguranças ficam embaixo da montanha de Muquiranas fedidas a suor e cerveja.

E, para minha alegria, Michael Jackson fica livre para entrar na área. Frente a frente com o goleiro, eu – que não vi Rolling Stones, no Rio, nem entrevistei Bono Vox, na Bahia –, tenho que caprichar no lance. Começo chutando devagar. Quem quer pegar galinha não diz “xô”

 

 

“Estou light”

 

 É seu primeiro Carnaval em Salvador?

 

Michael Jackson – Não. Já estive aqui outras vezes…

 

Quantas?

 

Umas duas ou três.

 

O que está achando do Carnaval

 

Ótimo.

 

Como você lida com todo este assédio de fãs,  apertos, correrias, falta de privacidade?

 

É muito complicado. Mas é muito gratificante ver meninos com este (aponta para um garoto de uns 7 anos que lhe pede autografo e puxa sua camisa suada).

 

Por falar em assédio, o que me diz das acusações de pedofilia…?

Isso não acontece mais. Agora estou – como se diz? – light.

 

Quando teremos disco novo?

 

Em fevereiro, quer dizer, no fim deste mês.

 

Qual o nome?

 

É uma coletânea. Ainda não defini como vai se chamar.

 

Falando em nome, qual o seu verdadeiro nome

Ivanildo Conceição 

 

Qual a sua idade?

24.

 

O que você faz?

 

Sou operador de máquinas.

 

Onde?

 

Na Copiadora Frente e Verso.

 

Coincidência! Desde quando você faz cópia?

 

Na copiadora?

 

Não, de Michael Jackson…

 

Ah, desde pequeno. Eu tenho tudo dele, disco, fotos, reportagem, modelos de roupa. Faço show como cover, e, no Carnaval, resolvi fazer esta performance.

 

 

 

Recado a Michael Jackson:  A reportagem acima foi publicada em pleno Carnaval, dia 01/03/2006, no Jornal A TARDE, o mais importante da Bahia e um dos maiores do Norte e Nordeste do Brasil. O projeto do jornal para a época previa uso de pseudônimo para os repórteres. Por isso, assino a matéria com o nome de Chiquito Superbacana, uma alusão ao meu filho Chico e a Caetano Veloso, autor do frevo A filha da Chiquita Bacana e da tropicalista  Superbacana.

Publico a reportagem agora aqui como homenagem póstuma a você, man.

Valeu Michael! (Adilson Borges)

 

 

 

 

O feijão e o sonho na Portela

Posted in Coração by adilson borges on 6 de julho de 2009

 

A Portela abre as asas sobre nós

A Portela abre as asas sobre nós

 

Quem consultar meu coração vai encontrar, agora, uma visita a Portela. Portanto, senhores médicos, não deixem o novo baticum assustá-los. No último 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos e um sábado de temperatura amena, fui, enfim, a uma quadra de escola de samba do Rio de Janeiro. O espírito e o corpo se elevaram na festa do Grêmio Recreativo e Escola de Samba da Portela.

 

Caí na feijoada bem-feita pelas descendentes das tias Ciatas, as baianas que teriam levado o samba para as terras cariocas. Uma surpresa, pelo menos para mim que esperava o tradicional pretinho do Rio: foi servido o feijão mulatinho, com cheiro e gosto dos pratos originalmente só confeccionados nos bairros populares de Salvador.  Há muito tempo, no entanto, os vips da capital baiana aderiram à tradicional feijoada, com suas carnes salgadas e frescas, sobretudo as consideradas de segunda categoria devido à boa consistência, além dos embutidos, como chouriços e calabresas.

 

As suculentas bandas de laranjas, característica do prato carioca, acabaram com o sonho de uma tácita homenagem da Portela à Bahia. Disse adeus à filosofia, que só se sustenta com fome de reflexões, e sem pensar comi, comi, como há tempos não comia.

 

Barriga cheia, a alma ainda sedenta mas aplacada com cerveja voltou a abrir alas e a pedir passagem. Na quadra, os bambas e as bambas humilhavam, sem piedade, os não-iniciados, com volteios maravilhosos e impossíveis balanços de quadris. Difíceis até de acompanhar com os olhos, os movimentos dos homens e mulheres do ramo eram amparados pelo lamento da cuíca, o assanho das cordas finas do cavaquinho, a masculinidade do violão e a contagiante disciplina da bateria da Portela de Paulinho da Viola.

Livre de todo mal, saí da quadra com um disco autografado pelo autor, o bom Monarco, compositor e cantor da velha guarda da escola fundada por Paulo da Portela. O valioso troféu foi obtido graças à gentileza do nosso cicerone, o historiador Fábio Conceição.

 Agora, estou pronto para conhecer a escola de samba do meu coração, a Mangueira, de Cartola e de Jamelão. Que o sonho, adiado nesta visita ao Rio, não demore de acontecer!

Mamãe, eu quero mamária! – número 2

Posted in Coração by adilson borges on 19 de maio de 2009
No meio caminho do Sul da Bahia, placa acaba com sede dos viajantes...

No caminho do Sul da Bahia, placa acentua a necessidade de cuidados com o que se bebe...

 

Água boa, além de  sombra fresca, em Itacaré

Em Itacaré, o visitante encontra muita tranquilidade, sombra e água boa

Caderno de autoajuda:

 

1) Trabalho? É permitido proibir

 

A decisão de não trabalhar no Carnaval, pela primeira vez em mais de 15 anos, foi difícil. Silenciosamente, tentei ignorar o resultado do cateterismo e a cirurgia marcada para o dia 27 de março. Argumentava intimamente que trabalhar no Carnaval me faria pensar menos em tudo isso. De quebra, gosto tanto da folia de Salvador e de escrever sobre ela, sobretudo no novo projeto do jornal, que me divirto enquanto trabalho.

A atividade profissional, aliás, ajudou-me bastante a enfrentar o diagnóstico das artérias silenciosamente entupidas. Por isso, agradeci comovido, mas recusei, a sugestão de um gestor da empresa de tirar uns dias antes da cirurgia para descansar. Mas trabalhar ou não trabalhar no Carnaval, essa era minha questão.         

“Eu, na qualidade de seu médico, o proíbo de trabalhar no Carnaval, Adilson”, proclamou o cirurgião Nilzo Ribeiro, com seu jeito de falar dando ênfase ao nome do interlocutor. Acho que pensei em contestar por contestar, mas a autoridade do doutor Nilzo é incontestável…

Então, mudei de assunto e falei sobre alguns aspectos da cirurgia, principalmente dos riscos da colocação de duas pontes de safena e uma mamária no meu peito, até então virgem de queixas e de dor. “Só se houver uma fatalidade determinada por Deus ou imperícia de minha parte”, tranqüilizou o cirurgião.  “O risco é zero, eu garanto, medroso”, ironizou afetuosamente, como sempre fizera, com a minha frouxidão. Não vou trabalhar este Carnaval, saí decidido do consultório de Nilzo Ribeiro.

2) Se acordar morto, finja que é sonho. Deus perdoa a inocência!

Dias depois, quando estava na estrada, com Marília e Chico, a caminho de Ilhéus e já pensando em escapulidas em Canavieiras e Itacaré, lembrei que a primeira reação profissional contra minha ideia de trabalhar no Carnaval veio da cardiologista Maria de Fátima Castro. “Eu não recomendaria”, disse a doutora, que me conduziu ao cateterismo, após exames ergométricos e de cintilografia, e, por fim, ao bisturi do cirurgião.

Achei tão débil a proibição que insisti, fingindo estar brincando: “Por que não? Até há poucos dias não sabia de nada sobre o meu coração, e continuo trabalhando…” Ela então lembrou que tudo mudou, aquilo que eu não sabia passei a saber. E, triunfante, finalizou com filosofia popular: “Deus perdoa os inocentes!”  

 

 

 

Quem fala?

Posted in Coração by adilson borges on 13 de maio de 2009
Eu, meu filho Chico e minha mulher, Marília. Férias de 2008. Sete meses depois, sairia o diagnóstico gelado sobre o grau de entupimento de minhas artérias: totalmente demais

Eu, meu filho Chico e minha mulher, Marília. Férias de 2008. Sete meses depois, sairia o diagnóstico gelado sobre o grau de entupimento de minhas artérias: totalmente demais

Sou Adilson Borges, 56, jornalista, radialista e músico e funcionário público estatutário.

Após descobrir, de repente não mais que de repente, que, no mínimo, flertava com o infarto, fui revascularizado (duas pontes de safena e uma mamária) e decidi construir este blog para combater os inimigos e  ajudar os amigos de coração.
Prometo atualizá-lo pelo menos duas vezes por semana, segunda e quinta. Pra quem tem coração!
 

Quem Fala?

Posted in Coração by adilson borges on 28 de abril de 2009
Eu, meu filho Chico e minha mulher, Marília. Férias de 2008. Sete meses depois, sairia o diagnóstico gelado sobre o grau de entupimento de minhas artérias: totalmente demais

Eu, meu filho Chico e minha mulher, Marília. Férias de 2008. Sete meses depois, sairia o diagnóstico gelado sobre o grau de entupimento de minhas artérias: totalmente demais

Eu sou Adilson Borges, 56, jornalista, radialista e músico e funcionário público estatutário.

Após descobrir, de repente não mais que de repente, que, no mínimo, flertava com o infarto, fui revascularizado (duas pontes de safena e uma mamária) e decidi construir este blog para combater os inimigos e  ajudar os amigos de coração.
Prometo atualizá-lo pelo menos duas vezes por semana, segunda e quinta. Pra quem tem coração!
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