Coisas do Coração

Mamãe, eu quero mamária! – número 2

Posted in Coração by adilson borges on 19 de maio de 2009
No meio caminho do Sul da Bahia, placa acaba com sede dos viajantes...

No caminho do Sul da Bahia, placa acentua a necessidade de cuidados com o que se bebe...

 

Água boa, além de  sombra fresca, em Itacaré

Em Itacaré, o visitante encontra muita tranquilidade, sombra e água boa

Caderno de autoajuda:

 

1) Trabalho? É permitido proibir

 

A decisão de não trabalhar no Carnaval, pela primeira vez em mais de 15 anos, foi difícil. Silenciosamente, tentei ignorar o resultado do cateterismo e a cirurgia marcada para o dia 27 de março. Argumentava intimamente que trabalhar no Carnaval me faria pensar menos em tudo isso. De quebra, gosto tanto da folia de Salvador e de escrever sobre ela, sobretudo no novo projeto do jornal, que me divirto enquanto trabalho.

A atividade profissional, aliás, ajudou-me bastante a enfrentar o diagnóstico das artérias silenciosamente entupidas. Por isso, agradeci comovido, mas recusei, a sugestão de um gestor da empresa de tirar uns dias antes da cirurgia para descansar. Mas trabalhar ou não trabalhar no Carnaval, essa era minha questão.         

“Eu, na qualidade de seu médico, o proíbo de trabalhar no Carnaval, Adilson”, proclamou o cirurgião Nilzo Ribeiro, com seu jeito de falar dando ênfase ao nome do interlocutor. Acho que pensei em contestar por contestar, mas a autoridade do doutor Nilzo é incontestável…

Então, mudei de assunto e falei sobre alguns aspectos da cirurgia, principalmente dos riscos da colocação de duas pontes de safena e uma mamária no meu peito, até então virgem de queixas e de dor. “Só se houver uma fatalidade determinada por Deus ou imperícia de minha parte”, tranqüilizou o cirurgião.  “O risco é zero, eu garanto, medroso”, ironizou afetuosamente, como sempre fizera, com a minha frouxidão. Não vou trabalhar este Carnaval, saí decidido do consultório de Nilzo Ribeiro.

2) Se acordar morto, finja que é sonho. Deus perdoa a inocência!

Dias depois, quando estava na estrada, com Marília e Chico, a caminho de Ilhéus e já pensando em escapulidas em Canavieiras e Itacaré, lembrei que a primeira reação profissional contra minha ideia de trabalhar no Carnaval veio da cardiologista Maria de Fátima Castro. “Eu não recomendaria”, disse a doutora, que me conduziu ao cateterismo, após exames ergométricos e de cintilografia, e, por fim, ao bisturi do cirurgião.

Achei tão débil a proibição que insisti, fingindo estar brincando: “Por que não? Até há poucos dias não sabia de nada sobre o meu coração, e continuo trabalhando…” Ela então lembrou que tudo mudou, aquilo que eu não sabia passei a saber. E, triunfante, finalizou com filosofia popular: “Deus perdoa os inocentes!”  

 

 

 

2 Respostas

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  1. Emiliano said, on 20 de maio de 2009 at 22:32

    A mercadoria vendida tinha cheiro agradável ?

    • adilson borges said, on 20 de maio de 2009 at 23:52

      Caderno de autoajuda:

      Não beba água do Sul!


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