Coisas do Coração

A sinfonia rubro-negra de Exu

Posted in Coração by adilson borges on 5 de maio de 2009

imgp19491exuParece que Exu folgou hoje (4 de abril 2009) e passou o dia folgando na Bahia. Sempre vestida de vermelho e preto, a entidade foi vista em todo lugar, bebendo cachaça ou vinho, fumando charuto ou cachimbo, pensando em jogo ou sexo, sempre com aquele ar zombeteiro – impiedoso com os adversários.

Se alguém deixou de receber cartas de amor ou de cobrança, bilhetes apressados, recados bonitos, e-mails ou telegramas tão esperados, pode cobrar de Exu, o mensageiro entre o mundo dos homens e dos orixás.

Um dia depois da vitória sobre o tricolor, trabalhar pra quê? Sou de ferro, não, moço, disse o rubro-negro, com voz miúda, e forte suspeita de falência nos pulmões, na fila do Raios-X. Perto da mesma clínica de diagnóstico por imagem, na Pituba, o orixá tomava conta de carro. Era o mesmo menino, o olho inquieto denunciava, mas já estava velho (“seu velho”, ironizou baixinho ao dizer a idade, 68 anos).

O disfarce mais perfeito só descobri agora quando estava escrevendo estas pretinhas. O corretor sublinha de vermelho quando escrevo coisas que ele considera estranhas, como a palavra Pituba. Eu sei que o sistema Windows é culturalmente analfabeto, mas você, logo você tão versado em línguas, não me engana, não, Exu. Você tá botando a cara do Vitória no texto, provocando um fenômeno que os lingüistas empolados chamam de verbicovisual.

Me tira de problema, rapaz, já basta o esporro que posso levar da comunidade do candomblé: Como é que um nego deste se atreve a usar uma entidades nossa para coisas tão terrenas como campeonato baiano. Vê se alguém faz isso com os santos católicos? 

Perdoem-me mãezinhas e irmãozinhos, se insisto neste tema, mas não acho que o Exu seja Vitória. Nem Bahia. Nem Colo Colo. Mas a cor do campeão baiano de 2009 se oferece para a curtição, a seiva que alimenta o orixá. Aí, ele aproveita para debochar dos velhos, dos meninos, dos homens e das mulheres…

 

Ela é orixá, orixá é ela

 

Por falar em mulher, ficou com uma delas, aliás, o segundo lugar da camuflagem do zombador, depois da letra vermelha borrando as Times New Roman. Ela trabalha (ou só apareceu hoje) em um laboratório onde fui, em jejum de 12 horas, levar um pouco do meu sangue para uma avaliação do tal do colesterol.

– Como está você, Adilson? – Perguntou olhando para dentro de mim mais fundo do que a agulhada que deu em seguida na veia do braço direito. – Acho que você está ótimo – ajuntou antes que eu pudesse responder – para quem fez cirurgia do coração há pouco mais de um mês, é claro.

Já estive naquela clinica, sim, não esqueço, foi exatamente no sábado, 4 de abril, quando soube da morte de Jônatas Conceição, meu amigo, militante negro, poeta e intelectual. Não me lembro, no entanto, de ter visto aquela moça, muito menos de ter falado sobre minha saúde. Tudo bem, posso ter abordado casualmente o tema, quem sabe ela até colocou tudo no prontuário do laboratório, junto com meu telefone, meu cadastro.

Mas por que razão ela, tão nova, não me trata como “Seu” Adilson, como tem ocorrido repentinamente com tanta gente após a cirurgia, sobretudo agora que estou usando esta barba toda branca, que não posso cortar devido a uma incômoda alergia?

A resposta demorou um pouco, mas caiu do colo da moça, quando ela se debruçou para extrair o rubro escuro das minhas veias. A medalhinha do Vitória despegou-se do peito farto, esfregando a verdade em meu nariz. Ela era Exu. Exu é Ela. Elexu.

A certeza de que Exu aparece aonde não se espera e foge de onde se espera alcançá-lo tive mais tarde, ao resolver comemorar o resultado de consulta com o doutor Marco André Sales, especialista em ecocardiograma. O doutor maratonista me deu ótima noticia: minha pericardite (líquido no coração, subproduto de cirurgia de safena e mamária que afeta provincianos como eu e o radialista Mário Kertész, mas também famosos mundiais como o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, o bon vivant ) está por um fio.

 

Bebendo o Bahia

 

Peguei Marília, aliás esta me pegou já que ainda não posso dirigir, e fomos almoçar na Casa do Comércio. Ao chegar, percebi movimentação estranha na área reservada do restaurante. Não liguei, porque tinha uma única preocupação, pedir duas taças de vinho, uma para cada, antes que minha santa mulher o proibisse, como revelou mais tarde que pensou em fazê-lo, ou quem sabe negociasse uma taça para os dois, já que eu bebera duas ou três no meu primeiro fim de semana com liberação médica.  “Sem exagero, Adilson”, dissera uns 15 dias antes o cardiologista Eduardo Novaes e repetira mais recentemente a doutora Cristiane Pereira, especialista em alergia.

Após abater na área a resistência de Marília, tinto seco e água mineral na mesa, relaxei e olhei para o outro lado, literalmente no sentido do Barradão. Na arquibancada, vejo então toda a diretoria do Vitória, bebendo o campeonato, que engoli em seco no domingo pela televisão.

 

Parêntese e pedido de perdão

 

(Assisti deitado na cama, violão nos dedos, tocando o hino tricolor, sem parar desde que o Bahêêêa fez o primeiro gol debaixo daquela chuva infinita. Sabia que se parasse, o feitiço perdia o efeito. Quando o Bahêêêa fez o segundo, tive certeza que estava no caminho certo. Liguei para Chico, meu filho de 11 anos, e dei a boa noticia. Meu fanático tricolorzinho estava no cinema, com a irmã da idade de Cristo, Cristiana, e a sobrinha (minha neta) Gabriele, da mesma idade dele. Chico queria ir ao Barradão, como não pôde decidiu assistir a Monstro versus Alienígenas. Foi a saída que encontrou para poupar o coraçãozinho… No intervalo, cometi um erro e, por isso peço perdão, Chico: parei de tocar o hino e aí houve o que houve.)

 

 

BA-VI na Casa do Comércio

 

 

Jorginho Sampaio e a galera rubro negra beberam vinho vermelho (faltou aquele pão preto), tomaram cerveja, discursaram, até com direito a aparte de alguns oradores de ocasião. Entre os convidados, vereadores como Silvoney Sales. A libação foi esquentando e houve aqui e ali um grito de guerra “Nego, Nego”. Os garçons mais experientes da casa estavam a postos. Colados na porta e paredes laterais da Casa do Comércio esperavam, pacientes, e respondiam solícitos ao serem acionados pelos vencedores. Mas que tinha um garçom com uma cara retada de Bahia, isso lá tinha. Depois eu pergunto a ele, em particular…

A garçonete (estagiária) estava convocada para a posição errada naquele jogo. Queria estar lá servindo a turma vermelho-e-preto. Mas não teve esta sorte. A Vitória, “de coração doente”, contentou-se em servir ao casal tricolor, cujo macho (Bahia relapso, que pouco acompanha de futebol, mas Bahia) recupera-se de doença do coração. Será por isso que ela me trouxe a conta antes dos cafezinhos?  Não. Deve ser paranóia…

 

 

Afastaram o cálice de mim! 

 

Após os discursos, bebidas preliminares, saladas e pães à guisa de entradas, o plantel vermelho-e-preto (de coração diga-se, porque não havia nenhum usando as cores do time) resolveu cair no principal. E tome-lhe comida nas barrigas estufadas dos gabinetes.

Mas Exu, que não vai aonde o esperam e que não gosta de obviedade nem cartola, não estava lá. Estava nas ruas, nas praças, nos becos, fazendo festa e gozação com o Bahia, que quase botou a mão no cálice do Santo Graal. Estava no olho preto da pancadaria que rolou após o jogo sob o dilúvio.  Estava no olho vermelho da alegria e da tristeza no Barradão.  Estava no seio discreto da moça de medalhinha vermelha e preta no laboratório do Imbuí, no boné roto do velho na Pituba, no pulmão frágil sanguinolento do rapaz à espera da chapa do Raios-X.

Chico vai me matar, mas tenho que dizer:

Parabéns, Vitoria!

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Edição especial sobre sexualidade

Posted in Coração by adilson borges on 17 de abril de 2009

Hoje (17.04),  faz um mês que fui submetido à cirurgia para implantação de pontes de safena e mamária.  Por isso, o blog Coisas do Coração apresenta uma edição especial sobre um tema tão importante quanto polêmico, a sexualidade no período  pós-operatório.

Abrimos o debate com duas historinhas baseadas em fatos reais, mas com nomes fictícios. A unidade dos textos “O dançarino erótico” e  ” O drama de Lussen” é realçada pelo comportamento dos personagens frente à necessidade sexual em um momento difícil  da existência.  

Em seguida, apresentamos, informalmente, a opinião do cirurgião Nilzo Ribeiro e do cardiologista Eduardo Novaes, da equipe que já operou milhares de pessoas do Brasil e, sobretudo, da Bahia, inclusive o autor deste blog.  Sobre o tema, ouvimos ainda o cardiologista Juarez Magalhães Brito. O leque amplia-se, portanto, sobre o que se pode chamar de três gerações empenhadas no trabalho para que nosso coração pulse mais e melhor.  

Por fim, publicamos um estudo acadêmico produzido pelas profissionais de enfermagem Rosana Aparecida Spadoti Dantas, Olga Maimoni Aguillar e Claúdia B. dos Santos Barbeira sobre o retorno ao trabalho e às atividades sexuais após a revascularização do miocárdio (ponte de safena, mamária).

Trata-se de um estudo desenvolvido no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, estado de São Paulo. Cremos, no entanto, que as importantes (e preocupantes) conclusões servem de parâmetro para o todo o País.

Grato pela atenção (Adilson Borges)

O dançarino erótico

Posted in Coração, doação de sangue, saúde by adilson borges on 16 de abril de 2009

margaridasss1 “Será que  botaram o fio da cabeça no coração dele”?  margariuda1A empregada está desconfiada desde que o homem voltou para casa. “Ele tá muito diferente, dona Ridan. Seu Lirdau não era assim não antes da cirurgia”, cochicha com a sogra do patrão, na cozinha com cheiro de coentro, ensopado de peixe e pirão.

Dona Ridan enxuga as mãos e corre para o quarto.  Reparte o segredo com a filha, a mulher do homem que dança sozinho na sala, bermuda enorme, pendurada entre a barriga e o púbis, de onde sai uma margarida amarela, desgarrada do enorme buquê com que ele foi recebido ao voltar do hospital. Quando recebeu alta.  

 

Mãe e filha vão para a cozinha, preocupadas que o peixe, a abóbora e o quiabo cozinhem demais. E dão uma espiada no homem. A música negra geme na sala e ele se contorce, malicioso. Sozinho e sozinho. “O que é isso, rapaz? Tem gente aqui”, diz a filha, com a boca sem áudio, ajudada com gestos de mão. Briga, achando engraçado.

O dançarino parece não ouvir. Às vezes faz um impossível solo na guitarra presa no canal de música da TV a cabo. Outras, faz pirueta ousada para quem está no pós-operatório. Quase sempre é castigado com uma fisgada no peito e faz careta de dor. E assim fica até que é chamado para comer o ensopado na panela de barro em forma de peixe.

Antes de sentar, faz uma reverência, olhando paciente para a filha e a mãe. Depois, tira a margarida do pélvis, beija e entrega à mulher.  “Que tá havendo com este homem, meu deus?”, pensa a mulher, agora inquieta. A empregada ajuda mãe e filha a botarem a mesa. Depois, sai da sala e vai ao quarto pegar o celular com a ligação esperada neste sábado.  Antes de atender, conclui o que era dúvida:

“ Botaram o fio da cabeça no coração dele! Coitado de seu Lirdau!”

 

O drama de Lussen

Posted in Coração by adilson borges on 16 de abril de 2009

 morango 

Música suave, velinhas na mesa, taças grandes de cristal com tinto chileno, couvert simples, mas elegante, com patês, pães quentinhos, azeitonas pretas e guardanapos imaculados. “Nós merecemos isso”, pensou o médico olhando orgulhoso para a mulher bonita, perfume discreto, nenhuma competição com a uva carmenére do vinho naquela sexta-feira, 23h30.  

 

A língua de morango molha a boca madura, sedutora, antes de insinuar: “É melhor atender, é a terceira vez que vibra”. De má vontade, ele pega o nokia. “Desculpe, amor, é paciente, vou tentar ser rápido”, pisca os olhos. Ambos sorriem.

 

Boa noite, seu Lussen. Como está? Algum problema?

Boa doutor, não queria incomodar, mas hoje faz 18 dias que tive alta e estou com uma dúvida…

  Pois não…

Não repare, não, doutor, mas eu queria saber se posso me masturbar!

 

 

A hora de voltar ao sexo

Posted in Coração by adilson borges on 16 de abril de 2009

 

A quarentena sexual do revascularizado é tema de debate entre os médicos. Há que ache que deve durar, literalmente, uma quarentena. Os mais avançados, geralmente cirurgiões, como o doutor Nilzo Ribeiro (65 anos), acham 40 dias ou mesmo 30 dias um prazo muito longo. Estando tudo bem, 18, 20 dias depois da cirurgia, segundo ele, os jogos já podem começar.

“Ele diz que sou conservador”, defende-se o cardiologista Eduardo Novaes (45 anos e da equipe de Nilzo), que estabelece pelo menos um mês para práticas sexuais. O mesmo período recomendado pelo cardiologista Juarez Brito, 54 anos.

Mas Nilzo, Novaes e Brito concordam que o reinício sexual tem que ser leve. Além disso, o pós-operado (a) deve ficar em posição mais relaxada, com a parceira (o) fazendo o grosso do que eles chamam de “trabalho mecânico”.  A verdade que muitos (como na história abaixo) apelam para alternativas como masturbação, o que lhe permite teoricamente total controle da situação. No entanto, é claro que tudo deve ser combinado com o médico assistente. E que cada caso é um caso.

Se o paciente apresenta intercorrências como derrame pleural ou no coração, recomenda-se repouso até reabsorção dos líquidos pelo organismo. Se, por exemplo, a resposta medicamentosa demora, o período de abstinência pode ser maior.

Há ainda casos de paciente que teme qualquer contato de outrem com a cicatriz deixada pela ponte de safena. Estão sempre com a mão à frente, em movimentos que lembram um escudo.  O comportamento certamente influencia na libido dele e da parceira (o), que não sabe até onde podem ir. Neste caso, a vida sexual, pode ser também retardada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estudo sobre a vida sexual e trabalho no pós-operatório

Posted in Coração by adilson borges on 16 de abril de 2009

 Dantas RAS, Aguillar OM, Barbeira CBS. Retorno às atividades ocupacionais e sexuais após cirurgia de revascularização do miocárdio.

 

Através de estudo prospectivo e longitudinal acompanhamos o retorno ao trabalho e às atividades sexuais de 17 homens (35 a 73 anos) após revascularização do miocárdio. Dados foram coletados através de entrevistas e transcritos em notas de campo desde a internação até o sexto mês após a alta.

Dos 14 pacientes que relataram atividades ocupacionais e sexuais antes da rurgia, apenas 8 retornaram ao trabalho (p = 0,016) e 10 à vida sexual (p = 625). Concluindo, houve mudança de atitude para o não retorno ao trabalho e tendência ao não retorno à vida sexual na população estudada.

PALAVRAS CHAVE: revascularização miocárdica, trabalho, sexualidade

RETURN TO OCCUPATIONAL AND SEXUAL ACTIVITY AFTER CORONARY ARTERY BYPASS SURGERY

prospective and longitudinal design was used to follow up the return to occupational and sexual activity among 17 males after coronary bypass surgery. The subjects’ ages ranged from 35 to 73 years. Data collection was performed by using open interviews which were recorded in field notes during hospitalization after heart surgery and during 6 months following hospital discharge. Of the 14 patients who reported work and sexual activity before surgery, 8 were working again (p = 0.016), and 10 had returned to sexual activity (p = 0.0625). There was change in the subjects’ attitudes leading to not returning to work and tendency to not resuming sexual activity in this population.

KEY WORDS: myocardial revascularization, sexuality, work

 

REGRESO A LAS ACTIVIDADES OCUPACIONALES Y SEXUALES DESPUÉS DE CIRUGÍA DE REVASCULARIZACIÓN DEL MIOCÁRDIO.

 Los datos de 17 hombres (35 a 73 años) después de la revascularización del miocárdio fueron recolectados a través de entrevista y transcritos en las notas de campo desde la hospitalización hasta el sexto mes después de la dada de alta. De los 14 pacientes que relataron actividades ocupacionales y sexuales antes de la cirugía, solamente 8 retornaron al trabajo (p=0.016) y 10 a la vida sexual (p=0.0625). Concluyendo, en la población estudiada hubo un cambio de actitud para el no regreso al trabajo y una tendencia a no regresar a la vida sexual. 

Professor Doutor, e-mail: rsdantas@eerp.usp.br, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para Artigo Original

 www.eerp.usp.br/rlaenf

 No nosso dia a dia como enfermeiros, cada vez mais nos defrontamos com pessoas acometidas por doenças cardiovasculares, entre elas a doença arterial coronariana. Esta doença se manifesta na forma clínica de infarto agudo do miocárdio, angina e miocardiopatias e afeta parcela importante da população que se encontra economicamente ativa. De acordo com estudo em pacientes norte-americanos, cerca de 80% das pessoas acometidas retornam aos seus antigos empregos (1).

As variáveis estudadas nas pesquisas que abordam o retorno ao trabalho após eventos cardíacos podem ser categorizadas em: demográficas (idade, sexo, situação sócio-econômica, estado civil e tipo de profissão), psico-sociais (depressão, apoio social, percepção do paciente com relação à sua capacidade de trabalho e sua auto-eficiência) e aquelas relacionadas ao ambiente de trabalho.

Também têm sido abordados os fatores clínicos (gravidade da doença, dor, capacidade funcional e influências do tratamento tais como restrições médicas e efeitos de medicamentos). No entanto, nenhuma destas variáveis tem previsto com sucesso o retorno ao trabalho. De todos os fatores acima citados, aqueles relacionados à atual ocupação do indivíduo ou seu ambiente de trabalho são os que têm recebido menor atenção. Eles incluem satisfação com o emprego, demanda física e tensões da profissão (2) .

Vem sendo constatado que trabalhadores do sexo masculino, com profissões mais intelectuais e com alto status socioeconômico retornam ao trabalho com maior freqüência que os trabalhadores braçais e as pacientes do sexo feminino(3-6).

 Indivíduos com maior apoio social retornam ao trabalho mais rapidamente que aqueles que tiveram menor apoio. Por outro lado, fatores como obrigações familiares e compromissos financeiros podem forçar o retorno mais precoce ao trabalho  

O retorno às atividades sexuais após eventos cardiológicos também tem sido objeto de estudo. Uma ampla proporção de pacientes não retornam à atividade sexual após a ocorrência dadoença. Muitos fatores, incluindo as mudanças fisiológicas já esperadas e decorrentes do processo de envelhecimento, disfunções induzidas por medicamentos e alterações vasculares associadas com fatores de risco (por exemplo, diabetes, hipertensão e dislipidemias), somadas ao impacto emocional da doença cardíaca, podem influenciar a vida sexual destes indivíduos. Estes fatores podem explicar, ao menos parcialmente, a elevada prevalência de disfunção sexual entre pessoas acometidas por doença arterial coronariana (5,8).

 O objetivo desta pesquisa foi investigar o retorno às atividades ocupacionais e sexuais durante os seis primeiros meses após a cirurgia de revascularização do miocárdio (RVM). Este estudo fez parte de uma investigação mais ampla que abordou o processo de reabilitação de pacientes submetidos a um protocolo de assistência de enfermagem para indivíduos revascularizados atendidos em um hospital de ensino brasileiro. Tal pesquisa também avaliou os problemas apresentados após a alta hospitalar, uso de medicamentos, controle dos fatores de risco coronarianos e adesão a  um programa diário de caminhada(9).

 METODOLOGIA

Local e design do estudo: para acompanhar o retorno ao trabalho e à vida sexual optamos por um estudo do tipo prospectivo e longitudinal que foi desenvolvido no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, estado de São Paulo. 

População e amostra: a população constituiu-se de pacientes que foram submetidos à cirurgia de RVM entre os meses de janeiro e maio de 1998. Sujeitos eram considerados inelegíveis para iniciar o estudo baseados nos seguintes critérios de exclusão: a RVM ter sido realizada concomitante com outra cirurgia cardíaca e ter inabilidade para comunicar-se devido a problemas físicos ou emocionais. Durante o período do estudo, 38 pacientes se enquadraram no estudo. Destes pacientes, 6 receberam alta antes de serem contactados pela enfermeira pesquisadora, 4 morreram durante a hospitalização, 3 tiveram complicações pós-cirúrgicas que impediram suas participações no protocolo proposto e 1 tinha deficiência auditiva. Assim, nossa amostra se constituiu de 24 sujeitos, sendo 23 homens. Durante o período de 6 meses de acompanhamento, 6 deles não retornaram às consultas ambulatoriais e tiveram seu processo de acompanhamento interrompido. No final de dezembro de 1998, finalizamos nosso protocolo com 18 pacientes. Como foi possível acompanhar o processo de reabilitação de apenas uma paciente do sexo feminino, decidimos excluí-la da análise final do estudo. Assim, o grupo estudado constitui-se de 17 homens, com idade entre 35 a 73 anos (média de 56 ± 10,9 anos), sendo 15 (88,2%) casados, 14 (82,3%) com primeiro grau incompleto e 16 (94,1%) com renda familiar mensal menor que seis salários mínimos. Quatorze (82,3%) desenvolviam atividades ocupacionais remuneradas antes da cirurgia. Quanto aos aspectos clínicos-cirúrgicos, dois terços (70,6%) da amostra tinha infarto do miocárdio já diagnosticado, 52,9% receberam enxertos mistos e tiveram entre 2 (23,5%) e 3 pontes colocadas (47,0%).

Proteção dos sujeitos envolvidos no estudo: Primeiramente, o projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição onde se desenvolveu o estudo. Os objetivos do mesmo eram apresentados aos pacientes e familiares durante o período de internação pós-operatória . Com a concordância dos participantes, o termo de consentimento pós-esclarecido era assinado pelos envolvidos (10).

Procedimentos realizados : durante o estudo, os 17 participantes foram seguidos, pela enfermeira pesquisadora, na fase de hospitalização pós-operatória e durante os seis primeiros meses

após a alta. Receberam informações orais e por escrito sobre adoença coronariana, o tratamento cirúrgico e mudanças no estilo de vida visando a promoção da saúde durante a internação e nos retornos ambulatoriais. Os aspectos vivenciados por eles no processo de reabilitação e no retorno às atividades eram discutidos. Esposas e outros membros da família eram encorajados a participar dos encontros, visando auxiliar no processo de resolução dos problemas apresentados, desenvolver conhecimentos e habilidades e prover apoio familiar ao doente.

Coleta dos dados: através de entrevistas abertas foram coletados os dados referentes ao processo de reabilitação cardíaca e relacionados ao retorno ao trabalho e à vida sexual, participaçãoda família em sua recuperação e mudanças no estilo de vida. Para o registro dos dados foi utilizada a técnica de “notas de campo” (11).

Nas notas de campo eram registrados os dados obtidos através da observação participante da pesquisadora nas consultas médicas ambulatoriais e dos diálogos ocorridos entre a enfermeira pesquisadora e os participantes. Não foi estipulado um roteiro predeterminado para os encontros nos ambulatórios uma vez que os aspectos abordados nestas ocasiões eram aqueles trazidos pelos doentes e familiares e que diziam respeito ao processo de reabilitação após a cirurgia.

Análise dos dados : os dados foram analisados através de estatística descritiva e do uso do teste de MacNemar para pequenas freqüências esperadas (teste binomial aplicado à mudanças) para constatar associação entre tempo de reabilitação e o retorno às atividades ocupacionais e sexuais. O nível de significância considerado foi de 5% (á = 0,05).

RESULTADOS

Dos 17 participantes, 14 (82,3%) desempenhavam atividades ocupacionais remuneradas antes da RVM. Tais atividades eram caracterizadas por serem não ou semi-qualificadas e por exigirem esforço físico de média ou alta intensidade para serem executadas. Cinco (35,7% dos 14) trabalhavam na lavoura, 4 (28,5%) atuavam no comércio; 3 (21,4%) na construção civil; 1 (7,1%) era motorista de ônibus e o último (7,1%) era porteiro. Destes 14pacientes, 7 (50%) já eram aposentados mas continuavam a desempenhar atividades remuneradas para aumentar a renda familiar. A realização de atividade ocupacional remunerada antes e seis meses após a RVM está apresentada na Tabela 1. Constatamos que houve mudança de atitude na população estudada para o não retorno às atividades ocupacionais durante o período analisado (p =0,016). Seis meses após a cirurgia, 8 (57,1% dos 14 e 47,0% do total de pacientes) haviam retornado ao trabalho sendo que 5 eram não aposentados com menos de 65 anos de idade, 2 aposentados com mais de 65 anos e 1 aposentado com menos de 65 anos. Em geral, o retorno ocorreu entre o terceiro e o quarto mês de reabilitação.

Tabela 1 – Distribuição dos 17 pacientes revascularizados segundo realização de atividades ocupacionais remuneradas desenvolvidas antes e seis meses após revascularização do miocárdio (RVM) * p = 0,016 (teste de MacNemar)

 

As causas alegadas para o não retorno às atividades ocupacionais foram: desejo da família para que deixassem de trabalhar após a cirurgia; não compensação financeira; opção por aumentar as atividades de lazer; não liberação médica e solicitação da aposentadoria.

O comportamento da realização de atividade sexual antes e seis meses após a cirurgia está apresentada na Tabela 2 Constatamos que houve uma tendência na população estudada de mudar sua atitude com relação às atividades sexuais, não retornando as mesmas após a RVM (p = 0,0625). Dos 17 participantes, 14 (82,3%) alegaram vida sexual ativa antes da revascularização cardíaca.

Destes, 10 (71,4% dos 14 ou 58,9% do total) haviam retornado às atividades sexuais ao término do acompanhamento. Quanto ao período em que se deu este retorno tivemos que 8 (47,0%) pacientes reiniciaram às atividades sexuais dois meses após a RVM e 2 (11,8%) no terceiro mês. Dos 4 pacientes (28,5% dos 14) que não haviam retornado à vida sexual, 2 (14,2%) alegaram a não liberação médica e 2 (14,2%) referiram perda da libido em decorrência dos problemas de saúde.

Tabela 2 – Distribuição dos 17 pacientes revascularizados segundo a realização de atividades sexuais antes e seis meses após revascularização do miocárdio (RVM)* p = 0,0625 (teste de MacNemar)

Os problemas, medos e inseguranças no retorno à vida sexual foram relatados por 2 (14,2%) dos pacientes, os quais alegaram que as esposas estavam nervosas, comprometendo a vida sexual

do casal. Por sua vez, as esposas também apresentavam incertezas, sendo que 5 delas (35,7%) expuseram suas dúvidas durante os nossos encontros, questionando qual seria o melhor período para

reiniciar estas atividades e se havia risco de novo episódio isquêmico. Salientaram o medo de prejudicarem a saúde dos maridos e a perda do desejo sexual em decorrência da situação gerada pela doença e cirurgia. Tais esposas nos relataram que, embora os maridos estivessem querendo reiniciar a vida sexual, elas sentiam-se inseguras pois não se consideravam orientadas sobre este aspecto.

 DISCUSSÃO

Os nossos resultados referentes ao não retorno às atividades ocupacionais e sexuais seis meses após a RVM são pertinentes aos reportados em outros estudos (1,4-5,12)

 Entretanto, em nossa investigação, o alto índice de não retorno ao trabalho pode ser

explicado pelo fato de termos considerados também os pacientes já aposentados entre aqueles que desempenhavam atividades ocupacionais remuneradas por ocasião da cirurgia. Vem sendo demonstrado que pacientes idosos deixam seus trabalhos, mesmo na ausência de sérios problemas de saúde (5,12). Outros motivos podem  ter sido a baixa qualificação profissional dos participantes e a falta de um protocolo médico que uniformizasse os parâmetros clínicos para liberá-los para o trabalho. Tal situação já havia sido detectada entre pacientes brasileiros (4).

 A participação de pacientes em programas de reabilitação cardíaca, com aconselhamento profissional para controle dos fatores de risco e realização de exercícios físicos, venha sendo defendida como um dos aspectos positivos para garantir a capacidade de trabalho dos cardiopatas (12-13). Entretanto, alguns estudos não conseguiram obter diferença, estatisticamente significante, quando compararam os níveis de retorno às atividades ocupacionais e sexuais dos pacientes que participaram destes programas com os níveis dos pacientes que haviam recebido o cuidado usual, ou seja, orientações não sistematizadas e ausência de programa de condicionamento físico (1,7,14-15). 

 O retorno ao trabalho depende de certas condições. Os pacientes podem não voltar às suas atividades quando os sintomas apresentados interferem em seu estilo de vida, quando cedem aos pedidos das esposas, receosas da volta ao trabalho ou quando desejam aumentar o tempo de recuperação pós operatória. Podem optar por não voltarem ao trabalho quando apresentam complicações, são super protegidos por estarem doentes ou quando desconhecem quais são as condições clínicas que caracterizam um comportamento saudável (16). 

 A participação da família no não retorno ao trabalho pôde ser observada durante o nosso estudo. Outro estudo que abordou a influência de familiares e profissionais da saúde na recolocação social de indivíduos revascularizados constatou que, para 42,1% dos pacientes, o médico e a família exerceram um fator essencial para o não retorno (4).

A combinação de uma superproteção familiar dizendo ao paciente o que ele não deve fazer, associado com o médico falhando em instruir o que ele pode fazer resultará em uma prolongada invalidez e falha em reassumir suas atividades profissionais (17).

Com relação a participação do enfermeiro influenciando o retorno dos pacientes ao trabalho, estudo realizado em hospitais públicos brasileiros, observou que tais profissionais e seus auxiliares foram substituídos por psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas nas condutas educativas direcionadas a estes pacientes (18).

 Acreditamos que outros estudos devem ser desenvolvidos para melhor avaliar a atual participação do enfermeiro nessa atividade, não só em hospitais públicos mas também outros locais de saúde. Embora os pacientes acompanhados em nosso estudo tivessem o seguimento da enfermeira-pesquisadora, fornecendo orientações quanto ao retorno às atividades, controle dos fatores de risco e programa diário de caminhadas, não havia uma proposta formal para um acompanhamento multidisciplinar visando a reabilitação cardíaca dos pacientes atendidos por esta instituição. A abordagem multidisciplinar se faz necessária para satisfazer os enfoques multifatoriais da doença coronariana e do seu processo de reabilitação.

Quanto às atividades sexuais após cirurgia de RVM, nossos resultados demonstraram tendência ao não retorno à vida sexual na população estudada. O período em que se deu o retorno é coincidente com o fim da cicatrização da esternotomia, ou seja, em torno de 8 semanas após a cirurgia, e já havia sido constatado como sendo o mais freqüente para se reiniciar estas atividades (19).

Esta situação nos chamou a atenção uma vez que, neste período de 2 a 3 meses após a revascularização, os pacientes geralmente não haviam ainda sido avaliados em um segundo retorno médico. O primeiro retorno após a alta ocorreu cerca de 30 dias e o segundo retorno era marcado no terceiro mês de reabilitação pós-operatória, ou seja, eles reiniciaram tal atividade sem terem sido formalmente liberados pela equipe médica. Quando perguntávamos se haviam retornado às atividades sexuais e se estavam tendo algum tipo de problema todos referiram não terem queixas cardiovasculares ou de qualquer outro tipo. Esta situação nos chamou a atenção uma vez que tal assunto era pouco abordado nas consultas médicas e é sabido que pode haver prejuízo do desempenho sexual entre cardiopatas do sexo masculino e na faixa etária em que se encontravam a maior parte dos sujeitos estudados.

Ressaltamos nossa constatação de que os aspectos relacionados à vida sexual foi pouco discutido entre o médicopaciente-esposa. Muitas vezes tal abordagem era sugerida pela enfermeira-pesquisadora, durante sua participação no retorno médico dos pacientes. Essa nossa observação é semelhante àquela relatada por outro autor brasileiro(18_ em seu estudo. Analisando os relatos de vascularizados acerca das categorias de informações fornecidas pelos profissionais de saúde, ele constatou que as referentes às atividades sexuais foram aquelas abordadas com menor freqüência que às relacionadas ao retorno ao trabalho e a prática de atividades esportivas.

Há inúmeros fatores psicosociais que podem influenciar quando e com que grau de conforto o paciente retorna às atividades sexuais. Após a revascularização do miocárdio ele está sujeito à depressão enquanto ainda está internado ou após retornar ao lar, o que irá afetar seu nível de energia e interesse em reassumir a vida sexual (19. Esta depressão pode durar dias, semanas ou meses e a diminuição da libido, bem com a disfunção erétil ocasional podem ser vividas neste período. Estudo realizado (20) constatou que, 15meses após a RVM, 47% dos pacientes reportaram não mudanças na vida sexual, quase a mesma proporção da soma dos que reportaram diminuição (36%) e abstinência sexual (8%). Outros estudos têm demonstrado uma significante proporção de homens referindo deteriorização da vida sexual após a cirurgia.

Como mostrou nossos resultados, as esposas também podem se sentir emocionalmente abaladas, com receio de prejudicar a saúde do marido e agirem de modo a evitar o retorno à vida sexual. Podem, ainda, superproteger os companheiros ou se ressentir de seus novos encargos no lar.  A combinação de todos estes fatores certamente contribuem para o detrimento da vida do doente mais que a própria doença coronariana (19.

 Ao se discutir disfunção sexual com o paciente cardíaco, o enfoque está quase sempre na disfunçãoerétil masculina. No entanto, a interação entre o casal tem uma relaçãodireta e intensa sobre o nível de atividade sexual a ser determinadae mantida. O estresse envolvido na doença cardíaca e/ou seu tratamento pode exacerbar problemas já existentes entre os parceiros (23).

 CONCLUSÃO

Como conclusão nosso estudo aponta mudança desfavorável de atitude para o não retorno ao trabalho e à vida sexual na população estudada, por motivos variados. Outros fatores, além da doença coronariana, podem influenciar a conduta dos pacientes para não reassumirem estas atividades tais como idade avançada, influência da família, baixo grau de escolaridade e de qualificação profissional. Os pacientes que retornaram às atividades ocupacionais e sexuais o fizeram entre o segundo e terceiro mês após a cirurgia de revascularização do miocárdio. Esses parâmetros devem ser objetos de pesquisa para enfermeiros visando melhorar a assistência e o ensino de enfermagem nesta área.

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