Coisas do Coração

Carla Perez, o lobo mau e Moema: os camarotáveis

Posted in Coração by adilson borges on 23 de fevereiro de 2010

Adilson Borges

A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), acha que a qualidade da segurança pública foi o destaque deste ano no Carnaval. Mas admite que ainda há problemas, sobretudo quando alertada sobre o comportamento de muitos policiais que espancam foliões já completamente imobilizados. “Este é um problema de formação que ainda não conseguimos resolver completamente”, analisa a prefeita.

A entrevista é rápida, e não podia ser de outra maneira. Estamos no camarote da cantora Daniela Mercury, temos que aproveitar a breve pausa no agito na passarela da Barra. Mas aqui dentro nada é silêncio. A boa banda de samba que anima os “camarotáveis”, os notáveis do camarote, volta a tocar.

A banda agita Carla Perez que balança seu notável talento para lá e pra cá, numa bela e nostálgica evocação dos seus tempos de bailarina… A ex-diva do É o Tchan voltou à mídia neste Carnaval ao se recusar a interpretar música que reedita de maneira maliciosa o mito de Chapeuzinho Vermelho e sua saga contra as investidas do insistente lobo faminto.

Moema Gramacho acha muito saudável o debate sobre a polêmica “Eu vou te comer, Eu vou te comer”, do grupo O Báck e gravada pela “Lobo Mau” Ivete Sangalo: “Toda essa discussão alerta para o grave problema da pedofilia e da violência sexual. Além disso, espero que ajude a elevar a qualidade das músicas do Carnaval’’.

“Um frevo novo, eu quero um frevo novo / Todo mundo na praça manda gente sem graça pro salão”. Num espaço reservado aos mais notáveis dos notáveis no camarote de Daniela, Albérico Mascarenhas, ex-secretário da Fazenda no governo Paulo Souto, acompanha tamborilando com os dedos a guitarra de Armandinho no Trio Dodô e Osmar.

Seu superávit de conforto no espaço que divide com Vips como a onipotente Lícia Fábio ajuda-o a recusar delicadamente, sem meter o cotovelo, mas com firmeza, perguntas sobre política. Quando o foco muda para economia, o céu é do avião e o técnico se entusiasma.

Mascarenhas, que atualmente é consultor em São Paulo , mas mantém escritório em Salvador “para não perder vínculos com o Bahia”, analisa dois momentos da economia baiana.
O primeiro, segundo ele, revela a perda de impulso nos investimentos estaduais. Apresenta a doença, mas não diagnostica as causas, talvez para evitar mais um viés político.
O segundo momento, ainda segundo o ex-secretário da Fazenda, é auspicioso para os baianos, sobretudo se forem executados os grandes projetos estruturantes. Mascarenhas antevê a repercussão aqui da boa fase econômica nacional.

Como a eletricidade faz o som da guitarra baiana repercutir em todo o longo circuito Barra – Ondina.

‘.

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Notas do Carnaval 2010

Posted in Coração by adilson borges on 23 de fevereiro de 2010

Vem Sambar

A turma do Vem Sambar encheu de ginga a passarela do Campo Grande à esvaziada Praça Castro Alves. Como uma procissão, os fiéis do samba seguiram atrás do carro do som, adorando a harmonia do cavaquinho, violão, pandeiros e surdos. No caminho bambas como Neto Bala foram se incorporando ao cortejo comandado pelo carioca Dudu Nobre, com o auxílio portentoso do Grupo Bambeia, Gal do Beco e outros valores da Bahia. “Essa família é muito unida”, cantava Dudu Nobre, traduzindo o espírito universal dos sambistas.

Pi (a) da chocante

Instalado na Casa D’Itália, o Camarote do Pida, dos mais animados do centro, era pura eletricidade. Quem se encostava ao balcão, para pedir um lanche, ganhava um choque de brinde. As queixas contra o problema de aterramento na área de alimentação se avolumaram.

Pancadão militar -1

Braços torcidos, pontapés, murros, golpes de cassetetes contra pessoas indefesas, já imobilizadas. As vítimas, a maioria negros, quase sempre eram liberadas, o que provaria inocência, após as sessões de espancamentos. Policiais militares barbarizaram neste Carnaval, comprometendo a imagem da corporação e do importante trabalho preventivo que a PM realiza.

Pancadão militar -2

O mesmo grupo de policiais que civilizadamente conduziu um casal de turistas brancos ao hotel Santiago, na rua Forte de São Pedro, se transformou após o agradecimento e despedida dos visitantes. O próprio líder do pelotão saiu do local da boa ação distribuindo cutucadas em quem, inadvertidamente, ficava à frente dos policiais.

Adilson Borges