Coisas do Coração

“Direito de resposta” do boi

Posted in Coração by adilson borges on 22 de dezembro de 2009

 

Adilson Borges*

“Caro editor. Conquanto não tenha origem nesta sua prestimosa coluna, o tratamento a mim destinado na Conferência Climática de Copenhague merece minha pronta e indignada resposta bovina onde quer que esta reação seja possível.

 Começo por dizer que o resultadinho da COP15 não surpreende, mas frustra quem, como eu, touro quase velho, ainda ruminava esperanças no ser humano.

Foram duas semanas de trabalho, lazer e desperdício de saliva, energia e papel. E o que resultou? Mais intenções do que efetivos compromissos dos chefes de Estado – pobres bípedes – com o dia de amanhã.

 Como a querer mascarar a verdadeira inação, os convencionais encontraram nos de minha espécie um ….bode expiatório – e esta é a razão da minha repulsa.

Culparam-nos pelo efeito estufa, ou seja, permitam-me o coloquialismo, sobrou para mim, assim como sobrou para as vacas do Sol devoradas pelos companheiros do “solerte varão” na Odisseia de Homero.

 Não basta matar-nos e comer-nos quase impunemente – ainda bem que vez em quando nossa gordurosa picanha infarta algum glutão! Não basta ensinar aos infantes que da gente tudo se aproveita, carne, entranhas, osso, couro, chifre – são devastadores por natureza.

Não basta nos fazer de cavalo, sobretudo na lama, ou de gladiadores desarmados, na areia, contra toreros em busca de fama, dinheiro e recompensa sexual.

 Não basta ofender nossas mulheres com o epíteto de “vaca louca” e conspurcar-lhe o leite. Não basta engolir a carne ainda tenra dos nossos filhos, em sangrentos banquetes, e transformar-nos em invasores, como o fez J. J. Veiga em “A Hora dos Ruminantes”.

 Nada é bastante, caro editor. Querem o que não se pede nem ao mais cruel criminoso, na cadeia: que, num flagrante boicote às leis do corpo, sufoquemos o resultado da evaporação intestinal.

 Atenciosamente, Adolfo Arnaldo, o boi da cara preta”.

* Publicado na edição de 21.12.2009 no Jornal A TARDE, de Salvador-Bahia

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Perdi o direito de me matar

Posted in Coração by adilson borges on 9 de agosto de 2009
Manhã geada em Monte Verde ( Minas Gerais)

Manhã geada em Monte Verde ( Minas Gerais)

ferias 2009 são paulo, monte verde e rio 19jun a 4 julho 296Voltar  a trabalhar após quatro meses, somadas  licença e férias, foi como concluir um rito de passagem. Tudo parece novo e  transborda entusiasmo, apesar dos velhos e desgastantes problemas, que ficam mais evidentes para quem se reencontra com a rotina após momentos inesquecíveis. Momentos de medo, dúvidas e  dores concretas,  prazeres intransferíveis, deliciosas viagens, dias e noites de maravilhas.

Tudo é realmente novo e entusiasma, não é só aparência. O corpo, este fardo que arrastamos  pela vida,  está mais leve. Nada a ver com a cirurgia de pontes de safena e mamária, talvez seja consequência de maior cuidado com a alimentação e das longas e agradáveis caminhadas diárias.

Mantido há cerca de 15 anos,  o ritual matutino do remédio para controle da pressão já parece anacrônico.  Nada a ver com a cirurgia do coração. Os médicos, sem segurança aparente, explicavam que  o surpreendente equilíbrio teria a ver com a perda de peso e com a distância da “vida real”. A volta à “realidade”, portanto, exige  especial atenção ao tensiômetro. 

 Menos de um mês no campo de batalha da redação política pode ser pouco para conclusão,  mas até agora, se não são excelentes como no mapeamento de 24 horas, realizado àsvésperas do retorno,  as medidas merecem comemoração: 130 X 80, 140 X 90, 130 X 80, 120 X 8.

São, portanto, cerca de 180 dias sem remédio para pressão. Apesar do recorde admirável, o alerta será mantido, com medições pelo menos a cada  três dias neste primeiro mês da volta ao mar revolto.  Se houver alteração, retoma-se o rito matinal, sem problema. Pílula não dói. E viva a realidade. 

 Feia ou bonita,  dela não se pode escapar.

Minuto da filosofia: 

 Salvar minha vida foi muito doloroso e caro. Perdi o direito moral de me matar.

(Adilson Borges)

“A prática de exercício é sempre fundamental”

Posted in Coração by adilson borges on 8 de maio de 2009
 
Doenças cardiovasculares
O Dr. Mario Cerci revela que pessoas que tiveram problemas cardiovasculares reclamam muito das vidas que levavam antes do infarto.
   
  Dr. Mario Cerci, o senhor, como cardiologista, teria quais sintomas para chamar atenção sobre a possibilidade de estar iniciando um infarto nesse organismo?

Para ter um infarto no coração, o indivíduo habitualmente tem uma dor que costuma ser no peito, que pode se irradiar para os dois braços, principalmente para o braço esquerdo, pode se irradiar também para o pescoço. É uma dor de forte intensidade e costuma estar acompanhada de palidez, a pessoa transpira muito, tem sensação de mal-estar e algumas vezes até de náusea, de vômito. Esses são os principais sintomas que a pessoa deve imediatamente procurar um serviço que possa atendê-lo rapidamente.

O infarto tem uma correlação com hipertensão ou não?

Tem. Os fatores de risco mais comuns que provocam o infarto são: a hipertensão arterial, hoje 50 milhões de brasileiros são hipertensos, o hábito de fumar também predispõe, o colesterol que é a gordura de origem animal aumentada, a obesidade, a diabete e os indivíduos que são tensos e que não praticam exercícios. São os fatores de risco mais comuns que provocam infarto.

A correria do dia-a-dia, o stress, tudo isso, aumentou o número de incidência de infartos?

Tem aumentado sim. Aliás, as doenças que mais matam no mundo, tanto nos países de primeiro mundo, desenvolvidos ou subdesenvolvidos, são as doenças cardiovasculares. As duas primeiras são o infarto do coração e o derrame cerebral, que é também uma trombose, um entupimento de uma artéria no cérebro. O infarto é o entupimento da artéria coronária que é a artéria do coração. São as duas causas mais freqüentes de morte do mundo.

Por isso há a necessidade de alertar a população para que certos cuidados sejam tomados, principalmente no dia-a-dia, porque hábitos errados na alimentação, a médio ou longo prazo, muitas vezes trazem conseqüências irreversíveis para as pessoas?

Exatamente. Então, essas pessoas que são hipertensas, que costumam gostar de uma comida com um pouco mais de sal, ou acompanhadas habitualmente de peso excessivo, de fumar e outros, ainda que são diabéticos, essas pessoas têm que levar uma vida mais saudável. Procurando ter uma alimentação com baixa quantidade de gorduras, baixa quantidade de sal, praticar exercícios corretamente orientados por um médico, fazer uma avaliação inicial, além de tratar bem essa pressão, quando precisar tomar medicamentos, tratar muito bem a diabete, que são fatores que aumentam muito o risco da pessoa vir a ter o infarto.

A pessoa que já tem problema hereditário, pai, mãe, enfim, que já vem com problema cardiovascular, a probabilidade é muito maior, não é doutor?

Exatamente. Então, aí já e um fator de risco que não tem como mudar. Existem os fatores que são chamados imutáveis. Quanto mais velho, você tem mais chance de ter infarto. Os pacientes cujos pais tiveram infarto, devem ter mais cuidados que aquele que não tem nenhum desses fatores de risco. E mesmo que não tenha, ainda há a genética.

Nós tivemos dois casos de jogadores de futebol que faleceram em campo, possivelmente não-fumantes, com uma vida regrada e mesmo assim tiveram infarto, como o senhor explica isso?

Veja bem, é uma doença que tem uma gênese de muitas causas. Uma delas, por exemplo, é a diabete e o exemplo disso é o Washington que é um jogador daqui de Curitiba, que teve um infarto, que fez um stent, desobstruiu a coronária e está em perfeitas condições para poder jogar. Então, mesmo o indivíduo sendo diabético, embora muito cuidadoso, pode vir a ter infarto. Você pode se cuidar e vir a ter infarto, isso pode ocorrer. Mesmo se cuidando não significa que ele não vai ter um infarto. Agora, a chance é muito menor se você se cuidar.

E outra conseqüência da saúde, da pessoa que tem uma vida equilibrada, que cuida da alimentação, tudo balanceado, ela terá privilégio em ter uma vida mais longa e evitar não só o infarto, mas uma série de outras doenças, não é mesmo doutor?

Exato. Porque às vezes as pessoas falam que “fulano se cuidava bem e morreu de infarto”, eu quero dizer o seguinte: isso pode ocorrer, mas é exceção e a grande maioria das pessoas que se cuidam vivem mais e melhor. Às vezes, o que as pessoas não conseguem mudar é a ansiedade, o stress. Outras vezes ele cuida bem do colesterol, mas é muito tenso, trabalha muito. Às vezes, é muito ambicioso, quer ter um padrão de vida muito difícil de ser alcançado, tem uma personalidade típica de um indivíduo infartado.

A personalidade típica de um indivíduo infartado é perfeccionista, vive estressado, com projetos de vida muito difíceis de alcançar. Então, a pessoa tem que mudar isso? Exercício é fundamental. Ajuda a baixar a pressão, diminui o colesterol, diminui o peso, que já são três fatores importantes. Ajuda a diabete, diminui a resistência à insulina, além de diminuir a tensão e a depressão.

A gente percebe que pessoas que tiveram problemas cardiovasculares, que sofreram infarto, reclamam muito que deveriam ter uma vida um pouco menos estressante e hoje reclamam de não conseguirem arranjar um hobbie, talvez por serem pessoas já mais de idade.

Quem estabelece a prioridade é a própria pessoa. Se você tiver uma prioridade de só trabalhar, não vai ter tempo para fazer um hobbie qualquer. Eu digo assim, a prática de exercício é sempre fundamental. Tem pessoas que não gostam de jogar futebol, não gostam de nadar, mas podem gostar de dançar, que é, por exemplo, um hobbie interessante e um bom exercício. Podem gostar de andar a cavalo, que é outro exercício que a gente não cita e é excelente. Às vezes, tem outro que gosta de bicicleta, tem que encontrar um hobbie em que sinta-se satisfeito. Se não se sentir satisfeito, ele vai praticar durante pouco tempo e parar. O ideal é manter a regularidade, se possível todos os dias ou no mínimo quatro vezes por semana.

Qual a orientação para quem está vivendo a maturidade, Dr. Mário Cerci?

Todas as pessoas, com o passar da idade, vão tendo maior chance de ter um infarto. Com o passar dos anos, a chance ainda é maior. Então, essas pessoas têm que procurar um cardiologista periodicamente, dosar o colesterol, dosar a glicemia para ver se não é diabético, prática de exercício supervisionada, orientada por um cardiologista, previamente. Só depois começar a praticar exercício, redução de ansiedade, ter algum hobbie que o satisfaça, que é importantíssimo, e diminuir o máximo possível a ansiedade. Se seguir essas linhas, terá uma chance muito menor de vir a ter complicações cardiovasculares.

Resumindo, a prevenção é sempre importante?

É o mais importante, o mais barato e o mais eficaz