Coisas do Coração

Homenagem à galera sangue bom

Posted in Coração, saúde, Uncategorized by adilson borges on 12 de março de 2009
apresentacao1conviteeletronico3 Capa do novo CD de Paulo Dantão. Na faixa 6, tem Sambando no Concreto,  música que fiz  para ele e canto com ele. Em nome dele e de Mariana Carneiro, homenageio aqueles que tentaram doar sangue para mim e  não conseguiram por motivos diversos. Obrigado!

Primeiro de Janeiro de 2008. O olhar espantado e de galã de Jarinho, o concunhado que virou irmão de sangue;Marília, entre os tios Orlanndo e Janete, comemora aniversário no dia anterior. Tudo azul para Dona Dade, mãe da aniversariante
Primeiro de Janeiro de 2008. O olhar espantado e de galã de Jairo da Mata, o concunhado que virou irmão de sangue; Marília, entre os tios Orlando e Janete, comemora o aniversário do dia anterior. Tudo azul para Dona Dade, mãe da aniversariante  e irmã de Janete.
A Galeota. Gil Maciel, de camisa branca, e a doce Flavinha, que faz farra sem tomar uma gota de alcool, ao fundo eu no violão. Tou voltando, me aguardem
A Galeota. Gil Maciel, de camisa branca, e a doce Flavinha, que faz farra sem tomar uma gota de alcool;  ao fundo eu no violão. Tou voltando, me aguardem

 

Um brinde à galera do sangue bom

Um brinde à galera do sangue bom

Dentro de um mês e meio, estarei liberado para o prazer do vinho. A primeira taça dedicarei à galera sangue bom que doou ou tentou doar um tanto deste bom para  mim. Vocês tocaram meu coração de forma mais profunda do que o cirurgião.

Obrigado, Mariana Carneiro de Souza, que me suporta desde o Bahia Hoje, passando pela Gazeta Mercantil, e a chamando de Júlia (referência a Robert) e cuja pele branca me permitiu inventar uma história para fazer um bom trocadilho (sem modéstia), com seu nome: 

” Quando ela nasceu, o pai, o comunista baiano Péricles, entrou sozinho no apartamento  do hospital para ver a mainha e o fruto do seu ventre. Ao retornar, os que ficaram fora perguntaram-lhe em coro:   –É menino ou menina?  – É um’ariana – responde  o pai da recém-nascida. Que assim  ganhou  nome”.

Obrigado, Alexsandro Felipe de Jesus. Não sei quem és, ao menos por este nome, mas tenho certeza és de uma pessoa maravilhosa. Claro, todo doador é maravilhoso. Ainda mais com este nome lindo. Uma poesia de cartório.

Obrigado, Jadison Jafe Andrade.  Também não o conheço, mas teu nome tem a mesma sonoridade do nome de um homens que mais admiro, Jadson  Oliveira, o diabo louro de Seabra. Um louco por sinceridade.

Obrigado, Edson Rodrigues de Souza, um dos primeiros a me prometer que faria o suprimento da hemoglobina. Um olhar crítico e artístico castigado pelo dead-line do jornalismo. Um beijo na careca (falo da cefalar, viu gaiatos?) 

Ronaldo Damasceno Rodrigues. Será um homônimo ou é  mesmo nosso Ronaldo, companheiro velho desde o Jornal da Bahia? hummm, é homônimo, lembrei, agora, que o Ronaldo meu colega, que passou pela A TARDE, é Oliveira. Acho que não conheço este anjo bom. Como será? Como soube qu´eu virara um vampiro sofisticado atrás de O +?  Faça contato. Não abro mão de um abraço.  Obrigado.

Obrigad0, Jairo Pessoa Mata, meu amigo, meu ìrmão,  meu concunhado ( pra quem não sabe o que é isto: sua mulher,  Suzete , é irmã da minha mulher, Marília). Pai de duas filhas lindas (puxaram a mãe), Natália  e Damile. Carnavalesco, cantor de bolero, exímio cozinheiro e companheiro certo nas grandes festas familiares. Sem saber que corria risco iminente, no Reveilon 2009 eu, chato, segredei  em seu ouvido a velha piada: “Escapamos de mais um. Não há mais risco de morrer em 2008″. 

Paulo Fernando Almeida, Paulo Dantão. O que dizer de uma pessoa que tive muito que consolar  porque até às vésperas da cirurgia se recusava a aceitar a realidade e queria que eu procurasse o naturalista x, que fizesse a dieta y. Isso não existe,  estes caras estão errados, não tá vendo que você está ótimo? O que dizer de uma pessoa a quem se pode criticar diretamente, sem nenhuma censura? Autor de uma música para seu filho (Anjo poeta)  ainda na barriga da  mulher a quem você mais ama ( até aqui, é claro), parceiro musical e muso da única música (Sambando no concreto) que você já gravou (até aqui, claro). Louco que me faz cantar, pelo telefone, ainda na UTI, a única música ( até aqui, claro) que fiz com Marília, o que a transformou em minha parceira duplamente. Que acredita em você quando diz que já fora operado porque não sabia direito a data.  Que pouco o vê, e nem precisa porque a amizade prescinde da presença, e  que me faz  chorar enquanto escrevo este texto? Tá na cara, não? É meu melhor amigo.  

Obrigado Cau Gomez,  um dos artistas mais criativos deste país, com quem tenho a honra de trabalhar na TARDE e antes no Bahia Hoje e na Gazeta. A caricatura de Chico, que ele mantém em lugar nobre do seu quarto, é simplesmente estupenda, como tudo que Cau faz. Vide o trabalho durante cerca de três meses para as eleições municipais do ano passado. T0mara que uma gota deste sangue corra em minhas veias, e eu acorde um dia desses detonando nos pincéis, espatula, tela,  etc. Tenho muito orgulho de você ser negro como eu. Dia desses, vamos tomar uma no Rio Vermelho. Escolha o boteco, meu irmãozinho!

Tenorio Lopes Ferreira e Eduardo Cardoso Garrido. Algum será da brigada da Petrobras, mobilizada por Marília? Ou da turma da Tecnologia Limpa, de Suzete, minha cunhada, que adora um mexilão preparado pelo bom Jairinho. Não importa, estão entre aquelas pessoas que acreditam em um ensinamento bíblico, ” Faze o bem, sem importar a quem”.

Sueli Santana Lopes, minha Sussuca, colega de jornal e de repartição pública, passional, implacável em relação às pessoas  com que não simpatiza e toda perdão para aqueles a quem ama – sorte minha que faço parte da sua lista de amados, liderada pela sobrinha Juliana, que a vi pequenina.  Discreta, nunca tocou no assunto da cirurgia, mas foi a primeira a doar o sangue de que precisava, logo cedinho na sexta-feira, 13.  Toda felicidade do mundo para você, Sussuca. Obrigado.

Gil Maciel, farei esforço para não chorar ao  falar de você e de nossa amizade, que não se consolidou  em mesa de bar, mas em mesa de restaurante, com  muita conversa, cachaça e  música,  na Casa do Comércio,  a sede social da Galeota. Um projeto como a Galeota só poderia mesmo ser sustentado por  um negão e um viado.  ” Negão, eu tenho que doar sangue para você, vou lá e se procurarem preconceito não aceitarei e eles vão se dar mal”, disse Gil, que, para minha alegria, não foi importunado e passou na triagem. Antes de me afastar para a cirurgia, chamei-o e passei para ele o comando da Galeota, sobretudo o poder para  atualizar nossa comunidade no Orkut. Em seguida, véspera de Carnaval, fizemos a festa mais animada de todas, com teaser,  fantasia , violão. O tema foi “Mamãe eu quero mamária”. Eu vestido de drácula, Lilia, de Oxum, Regina  Bochiccio, Patricia França, Cassandra Barteló e Flavinha, com máscaras douradas de gatinhas, Bira Paim, nos revezamos no violão, Jacobina dando um show, Marcia Gomes cantando comigo, Marcos Dias também etc e Gil registrando tudo som e imagem.   

Reinaldo Gonzaga. Este nasceu para ser Rei. No nome e sobrenome do rei do Baião. Tão apressado estava para atender ao amigo, que foi ao hospital dois dias antes da primeira data, 13 de  março –  dia que liquidou logo a fatura e fez do  14 de março, literalmente,  uma data sabática. A enfermeira me ligou desesperada: tá vindo gente demais e só podemos atender nos dias certos. Na sexta, 13, por volta das 13 horas, voltou a me ligar para  dar “parabéns” e falar com meu pessoal  (“O que foi que o senhor fez para ter tantos amig0s assim?” ) para, “pelo amor de deus”, não ir mais porque a cota já fechou.

 Bom- Humor, elegância e discrição são qualidades  de Rei, com quem  trabalhei no Irdeb (na TV Educativa)  nos tempos de  Waldir Pires (1987?) . Saí, Rei lá ficou porque  é da casa.  Reencontrei-o ao voltar ao Irdeb (Rádio Educadora) no tempo de Souto, em 2003, graças a um convite de João Paulo, assessor do ex-governador e cuja altivez  menosprezou o fato de, na campanha  de 2002, eu ter sido assessor de Jaques Wagner,  derrotado por Souto.  O asssessor do vencedor convida para trabalhar consigo o assess0r do vencido. Alguma coisa começava a mudar na Bahia… Aceito convite para trabalhar em  ATARDE e reencontro-me com  Reinaldo  Gonzaga, chargista, ilustrador, infografista e sobretudo, um belo caráter! 

 Ano passado, Rei pegou-me em casa para doar sangue para um irmão, que estava muito doente no San Rafael. No carro, além dele, estava outro irmão e o pai, oitenta e tantos anos, fortíssimo fisicamente, mas com  falhas na memória – vez em quando esquecia que o filho estava doente e espantava-se por estar no hospital. Meio do caminho, não tirava olho de mim. De repente,  disparou a preocupação.  –Voce vai doar sangue, é? Deixe eu dizer uma coisa, este pessoal gosta de fazer uma perguntas estranhas ao doador, por favor não ligue  – disse e voltou a cair no silêncio, recheado de sorriso fraco quando o surpreendia me olhando e ainda aquele olhar dissimulado, mas de evidente preocupação com uma reação de minha parte com as tais “perguntas estranhas”. Recorri a Rei e este, com aquele risinho irônico, revelou a charada. “É que vão perguntar: ‘ Você já dormiu com homem?’ 

 Obrigado, sua excelência Reinaldo Gonzaga, agora meu irmão de sangue. Como está nosso pai?  Longa vida para ele e que sempre durma com mulher. Seguro morreu de velho.

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