Coisas do Coração

O alerta da morte de Rabicó

Posted in Coração by adilson borges on 8 de maio de 2009

José Carvalho da Cunha Júnior, brasileiro. Clement Pinault, francês . O que têm em comum? Eram atletas, jogadores, e morreram precocemente de infarto. Conhecido como Rabicó, José Carvalho, de 39 anos, chegou a jogar na Seleção Brasileira de futsal.  Morreu na sexta-feira, 1º de maio,  depois do final da partida entre Assaf e ACBF, no Ginásio Poliesportivo Municipal de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, válida pelo Campeonato Gaúcho da primeira divisão.

 O defensor francês Clément Pinault, do Clermont, 23 anos, morreu em janeiro deste ano, quatro dias após sofrer um ataque cardíaco em sua casa. Pinault havia jogado pelo clube da segunda divisão francesa dias antes, na vitória por 2 a 0 pelo Brest.

A lista de casos como estes é enorme e preocupante. Se isto acontece com jogadores profissionais, que teoricamente estão sempre sob supervisão médica, imagine com os jogadores amadores.

 Ninguém deve perder o gosto pelo “baba”, como a gente chama  aqui na Bahia a saudável  pelada de fim de semana, mas é importante ficar atento. De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os homens que jogam apenas uma vez por semana e não fazem nenhum outro exercício físico correm sérios riscos de desenvolver problemas cardíacos. Esta informação consta de reportagem de Luciana Sobral, do Diário de S. Paulo, que republicamos aqui.

Ainda nesta edição do Coisas do Coração, publicamos entrevista concedida pelo doutor Mario Cerci ao site do Hospital do Coração, sobre a importância do tratamento preventivo.  “As vezes as pessoas falam que “fulano se cuidava bem e morreu de infarto”, eu quero dizer o seguinte: isso pode ocorrer, mas é exceção e a grande maioria das pessoas que se cuidam vivem mais e melhor” adverte  o profissional.

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Jogo esporádico de futebol aumenta risco

Posted in Coração by adilson borges on 8 de maio de 2009

LUCIANA SOBRAL, DO DIÁRIO DE S.PAULO

Os jogadores esporádicos de futebol society, principalmente aqueles que já passaram dos 40 anos, têm agora mais um motivo para se preocupar, além de vencer a partida. De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os homens que jogam apenas uma vez por semana e não fazem nenhum outro exercício físico correm sérios riscos de desenvolver problemas cardíacos.
O estudo, apresentado pelo professor de educação física Roberto Constantino Carneiro, envolveu 32 homens, com idade média de 41 anos, estando a maioria com sobrepeso. “A pesquisa mostrou que em vez de trazer benefício, o jogo acaba prejudicando a saúde desses homens pelo fato de eles serem sedentários, ou seja, de praticarem exercícios físicos menos de três vezes por semana”, conta o pesquisador. Segundo o professor, em São Paulo há 350 quadras para o esporte, com cerca de 1 milhão de participantes.
O trabalho demonstrou que 75% dos jogadores avaliados apresentaram grandes chances de sofrer um infarto, enquanto 12,5% tiveram risco moderado. “Para chegar a essas conclusões, avaliei primeiramente a aptidão física de cada paciente, ou seja, sua capacidade máxima para o jogo. Depois, comparei os resultados com o estresse cardíaco durante a partida, que medi com a ajuda de um aparelho”, explica Carneiro.
Segundo o professor, o batimento cardíaco dos jogadores durante a partida ultrapassou o limite do recomendado. “O ideal seria 153,5 batimentos por minuto (bpm). A média dos jogadores avaliados foi de 155,7 bpm, mas teve gente que chegou ao pico de 211”, conta. “O jogo de futebol é uma atividade que exige muito do organismo. Por isso, o corpo precisa estar condicionado para suportar essa exigência”, completa Carneiro.
O fisiologista Turíbio Leite de Barros, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Unifesp, explica que, para estar condicionado, o indivíduo precisa praticar exercícios no mínimo três vezes por semana, aumentando a intensidade aos poucos. “Para reduzir os riscos do infarto, basta o jogador esporádico incluir pelo menos duas caminhadas rápidas de 40 minutos por semana”, recomenda.
De acordo com o médico, a prática inadequada não aumenta apenas os riscos de ocorrência do infarto, mas também de lesões musculares e articulares. “Isso acontece muito com jogadores obesos. A obesidade também é fator de risco para as doenças cardíacas”, conclui Barros.
Atividade intensa e pouco freqüente é arriscada – A prática de futebol society esporádica não é a única atividade perigosa para os sedentários. Segundo os especialistas, qualquer exercício intenso, realizado apenas uma vez por semana ou a cada 15 dias, coloca a saúde de quem não tem condicionamento físico adequado em risco.
“O organismo do sedentário muitas vezes não consegue tolerar uma atividade que exige muito dele, como é um jogo de futebol, de basquete ou uma corrida longa”, explica o professor de educação física Roberto Carneiro. Segundo o especialista, o coração pode não estar preparado para agüentar o esforço do praticante durante o exercício. “Se ele for obeso, diabético ou já tiver problemas coronários, como hipertensão, essa capacidade é ainda menor”, completa.
O fisiologista Turíbio Leite de Barros garante que fazer caminhadas ou corridas aceleradas durante a semana pode tornar o jogo de futebol esporádico uma atividade benéfica para o corpo. “Em oito a dez semanas, o jogador já vai ter os benefícios, entre eles, menor risco de infarto, melhor condicionamento físico, nível de colesterol adequado e pressão arterial controlada”, afirma.
Até sofrer sua primeira crise de hipertensão, o corretor Ridney Zaidan, de 46 anos, fazia parte do grupo de sedentários que jogava futebol society apenas uma vez por semana, sem se preocupar muito com a saúde. “Esse era o meu único exercício e, para piorar, nunca abria mão do churrasquinho e da cerveja depois do jogo”, diz.
Há dois anos, quando teve os primeiros sintomas de pressão alta, como tontura e taquicardia, o corretor foi obrigado a incluir hábitos mais saudáveis na sua rotina. “Passei a caminhar e a correr duas vezes por semana, além de jogar futebol. Senti que meu condicionamento melhorou e me dei melhor durante as partidas”, lembra.