Coisas do Coração

Edição especial sobre sexualidade

Posted in Coração by adilson borges on 17 de abril de 2009

Hoje (17.04),  faz um mês que fui submetido à cirurgia para implantação de pontes de safena e mamária.  Por isso, o blog Coisas do Coração apresenta uma edição especial sobre um tema tão importante quanto polêmico, a sexualidade no período  pós-operatório.

Abrimos o debate com duas historinhas baseadas em fatos reais, mas com nomes fictícios. A unidade dos textos “O dançarino erótico” e  ” O drama de Lussen” é realçada pelo comportamento dos personagens frente à necessidade sexual em um momento difícil  da existência.  

Em seguida, apresentamos, informalmente, a opinião do cirurgião Nilzo Ribeiro e do cardiologista Eduardo Novaes, da equipe que já operou milhares de pessoas do Brasil e, sobretudo, da Bahia, inclusive o autor deste blog.  Sobre o tema, ouvimos ainda o cardiologista Juarez Magalhães Brito. O leque amplia-se, portanto, sobre o que se pode chamar de três gerações empenhadas no trabalho para que nosso coração pulse mais e melhor.  

Por fim, publicamos um estudo acadêmico produzido pelas profissionais de enfermagem Rosana Aparecida Spadoti Dantas, Olga Maimoni Aguillar e Claúdia B. dos Santos Barbeira sobre o retorno ao trabalho e às atividades sexuais após a revascularização do miocárdio (ponte de safena, mamária).

Trata-se de um estudo desenvolvido no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, estado de São Paulo. Cremos, no entanto, que as importantes (e preocupantes) conclusões servem de parâmetro para o todo o País.

Grato pela atenção (Adilson Borges)

Anúncios

O dançarino erótico

Posted in Coração, doação de sangue, saúde by adilson borges on 16 de abril de 2009

margaridasss1 “Será que  botaram o fio da cabeça no coração dele”?  margariuda1A empregada está desconfiada desde que o homem voltou para casa. “Ele tá muito diferente, dona Ridan. Seu Lirdau não era assim não antes da cirurgia”, cochicha com a sogra do patrão, na cozinha com cheiro de coentro, ensopado de peixe e pirão.

Dona Ridan enxuga as mãos e corre para o quarto.  Reparte o segredo com a filha, a mulher do homem que dança sozinho na sala, bermuda enorme, pendurada entre a barriga e o púbis, de onde sai uma margarida amarela, desgarrada do enorme buquê com que ele foi recebido ao voltar do hospital. Quando recebeu alta.  

 

Mãe e filha vão para a cozinha, preocupadas que o peixe, a abóbora e o quiabo cozinhem demais. E dão uma espiada no homem. A música negra geme na sala e ele se contorce, malicioso. Sozinho e sozinho. “O que é isso, rapaz? Tem gente aqui”, diz a filha, com a boca sem áudio, ajudada com gestos de mão. Briga, achando engraçado.

O dançarino parece não ouvir. Às vezes faz um impossível solo na guitarra presa no canal de música da TV a cabo. Outras, faz pirueta ousada para quem está no pós-operatório. Quase sempre é castigado com uma fisgada no peito e faz careta de dor. E assim fica até que é chamado para comer o ensopado na panela de barro em forma de peixe.

Antes de sentar, faz uma reverência, olhando paciente para a filha e a mãe. Depois, tira a margarida do pélvis, beija e entrega à mulher.  “Que tá havendo com este homem, meu deus?”, pensa a mulher, agora inquieta. A empregada ajuda mãe e filha a botarem a mesa. Depois, sai da sala e vai ao quarto pegar o celular com a ligação esperada neste sábado.  Antes de atender, conclui o que era dúvida:

“ Botaram o fio da cabeça no coração dele! Coitado de seu Lirdau!”

 

O drama de Lussen

Posted in Coração by adilson borges on 16 de abril de 2009

 morango 

Música suave, velinhas na mesa, taças grandes de cristal com tinto chileno, couvert simples, mas elegante, com patês, pães quentinhos, azeitonas pretas e guardanapos imaculados. “Nós merecemos isso”, pensou o médico olhando orgulhoso para a mulher bonita, perfume discreto, nenhuma competição com a uva carmenére do vinho naquela sexta-feira, 23h30.  

 

A língua de morango molha a boca madura, sedutora, antes de insinuar: “É melhor atender, é a terceira vez que vibra”. De má vontade, ele pega o nokia. “Desculpe, amor, é paciente, vou tentar ser rápido”, pisca os olhos. Ambos sorriem.

 

Boa noite, seu Lussen. Como está? Algum problema?

Boa doutor, não queria incomodar, mas hoje faz 18 dias que tive alta e estou com uma dúvida…

  Pois não…

Não repare, não, doutor, mas eu queria saber se posso me masturbar!