Coisas do Coração

Zé Rodrix, os limites do campo e do corpo

Posted in Coração by adilson borges on 23 de maio de 2009

Eu quero uma casa no campo / Onde eu possa ficar do tamanho da paz / E tenha somente a certeza / Dos limites do corpo e nada mais  (Casa  no Campo, de Zé Rodrix e Tavito)

 

 A morte do cantor e compositor Zé Rodrix esquenta o debate sobre a prevenção das doenças cardíacas. O  autor de Casa de Campo  morreu na quinta-feira (21de maio) de infarto no miocárdio, aos 61 anos .  Mas segundo familiares e amigos, ele recentemente fez check up e estava tudo normal.

 Zé Rodrix estava em casa, com a família, quando passou mal. Foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, na capital paulista, onde morreu. Ainda são escassas as informações sobre o estado de saúde que levou o compositor à morte. Mas segundo a família, Rodrix estava muito bem de saúde e cheio de planos para a carreira de músico e publicitário. O corpo deve ser cremado neste sábado (23).

“Qualquer um pode morrer atropelado, mas aquele que anda de bicicleta todos os dias, sem capacete, sem nada, as chances aumentam muito mais”, disse recentemente o médico cirurgião João Lucas O ‘Connell, em entrevista ao Correio de Uberlândia , de Minas Gerais.

O mesmo argumento, em defesa da prevenção, consta em entrevista do doutor Mario Cerci concedida ao site Hospital do Coração e republicada dia 8 de maio aqui no Coisas do Coração.

“Todas as pessoas, com o passar da idade, vão tendo maior chance de ter um infarto. Então, essas pessoas têm que procurar um cardiologista periodicamente, dosar o colesterol, dosar a glicemia para ver se não é diabético, adotar a prática de exercício supervisionada, orientada por um cardiologista, previamente”, orienta o cardiologista. “Quem seguir essas linhas, terá uma chance muito menor de sofrer complicações cardiovasculares”.

 

 

Cante “Casa no Campo” com Zé Rodrix:

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

 

 

 

 

 

 

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A doença da mãe do PAC

Posted in Coração by adilson borges on 28 de abril de 2009

1200rp3633Foi checar o coração e descobriu o linfoma, um câncer de 2,5 centímetros, que foi extirpado com êxito. A próxima etapa é fazer a quimioterapia para evitar surpresas no tratamento.

A história terminaria aí se a personagem não fosse a poderosa ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata a presidente (ou presidenta, escolham) da República em 2010. A Mãe do PAC (o Programa de Aceleração do Crescimento) e tia do Programa Minha Casa Minha Vida, que promete 1 milhão de moradias para os brasileiros de baixa renda, fez uma avaliação política e agiu rápido sábado passado.

Expôs em minúcia seu estado de saúde, em uma entrevista coletiva à imprensa, ao lado da equipe de médicos que estão tratando do caso no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Segundo os especialistas, as chances de cura chegam a 94%.

Foi a medida mais acertada tanto do ponto de vista do tratamento quando da perspectiva política. Seria impossível ocultar a doença até porque periodicamente a ministra terá que ir a São Paulo para a quimioterapia, que deve durar, pelo menos, uns quatro meses. Se não houvesse o anúncio, em pouco tempo começariam as especulações, que logo atrapalhariam a saúde da ministra, a sua campanha política e os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apostou todas as fichas na candidatura de Dilma Rousseff.

Anunciado o linfoma, transferiu-se o problema político para a oposição, que inclusive vai ter que usar luvas finas ao tratar da questão perante povo brasileiro, muito sensível a questões como esta. Hoje (27 abril), o comentarista político Alexandre Garcia, da rede Globo, começou o dia dizendo que, mais importante do que tudo, é a questão humanitária da saúde da ministra. Em linhas gerais, o mesmo discurso foi adotado sem seguida pela apresentadora Ana Maria Braga, também da Globo, que se curou de um câncer há alguns anos em condições menos favoráveis do que a ministra-chefe da Casa Civil.

Ponto para Dilma Rousseff e equipe médica. E (por que não?) para a equipe da sua campanha de olho na cadeira mais confortável do Palácio do Planalto.

 

 

A doença e as descobertas da instintiva

Posted in Coração, doação de sangue by adilson borges on 9 de abril de 2009

 

Marilia em evento quando era presidente do CRESS-BA. Para a mulherada, eu não tinha nome. Era o "primeiro damo"

Marilia ( no centro) em evento quando ainda era presidente do CRESS-BA. Para a mulherada, eu não tinha nome. Era o "primeiro damo"

 

Jeane fazia caracol. Geraldo, camisa abotoada até o gogó. Cassandra parecia estátua, único sinal de vida vinha dos olhos castanhos. O busto de Márcia subindo e descendo compassado, mas sem parar, movimentos regulares, sem bip de doente. Perto da alta. Estava tudo normal no jornal. Aí  o telefone tocou no comecinho de dezembro de 2008:

 

– Boa tarde, senhor, queria confirmar sua consulta de cardiologia para a amanhã, 8h40…

– Desculpe, mas não marquei nenhuma consulta…

–  Está aqui marcada. Adilson Borges não é o senhor?

– Hum… Ah, já sei… Tá legal. Confirmada.

Havia uns 15 dias que Marília acordara com a idéia de que eu devia procurar um cardiologista para fazer check-up. Não adiantava argumentar que eu me sentia muito bem e que o exame periódico da empresa, todos os anos, incluía ecocardiograma. “Tem que ser um ‘cárdio’. Tome aqui o manual da AMS, o plano da Petrobras, e ligue, ok?” , dizia impaciente. “Ou então ligo eu, amore!”

O livrinho da empresa ficava no lugar onde deixava, eu esperando vencê-la pelo cansaço, contando com o monte de obrigações dela, como aconteceu da outra vez quando inventou este exame de rotina.  Não avaliei que, agora, a situação mudara. Ela ainda tinha o dia-a-dia duro da Petrobras, o curso MBA, custeado pela empresa, que a fazia a cada 15 dias ir sexta a São Paulo e voltar sábado, e outras viagens extras da rotina da estatal do petróleo brasileiro.

Tinha também a escola de Chico e o próprio, a quem, pelo menos acordado, acho que ela via menos do que eu – só na carreira da manhã, enquanto eu e ele quase todo dia almoçávamos juntos. Mas Marília Menezes Pessoa não era mais a presidente da 5ª Região do Conselho Regional do Serviço Social (CRESS- BA) e eu não precisava mais fingir que me incomodava quando a mulherada do Conselho, naquelas reuniões intermináveis, nos atos políticos ou nas farras com violão, me chamava de ‘primeiro-damo’.

A ‘sobra’ de tempo, talvez, fez minha instintiva, como um médico a chamou após a cirurgia, passar da ameaça à ação, marcando a consulta com uma cardiologista, Maria de Fátima Castro, que ela escolheu numa roleta russa: abriu o livrinho ao acaso e bateu os olhos na filha do saudoso jornalista Elmano Castro, fundador da Tribuna da Bahia.

Sem dor, com amor

Os exames ergonométrico e cintilográfico apontaram. E o categórico cateterismo (Ah quantos médicos corri em busca de algum que dissesse que não haveria necessidade!) feito pelo doutor Heitor de Carvalho, o “papa da hemodinâmica”, como já ouvi o chamarem, atestou irretorquível  a dimensão do problema. Sentindo-me muito bem, sem uma dorzinha qualquer, eu tinha uma artéria totalmente obstruída e as outras duas em níveis que variavam de 75% a 95%.

Assim, me internei em 16 de março (Ah quantos médicos, inclusive Heitor de Carvalho, corri em busca de algum que dissesse que meu caso poderia ser resolvido com angioplastia!), e no dia 17 fui operado pelo recomendadíssimo cirurgião Nilzo Ribeiro (nunca vi tanta unanimidade em torno de uma pessoa), no Hospital Aliança, onde fiquei até o dia da alta, 26 março de 2009, uma quinta-feira-feira de sol mais brilhante do que nesta opaca Quinta da Paixão que escrevo – renascido pelo amor e pelo instinto de Marília, que também me fez parar de fumar há 11 anos e acaba  de evitar, novamente por instinto, o progresso do aumento de  líquido no meu coração neste período pós-operatório.

Esta é outra história que conto depois.  Sei que prometi não fazê-lo, mas desculpe, minha comunista instintiva,  o “ex-primeiro damo” não pode esconder.

Obrigado, meu amor!