Coisas do Coração

Eu entrevistei Michael Jackson

Posted in Coração by adilson borges on 14 de julho de 2009

Cercado por seguranças, um deles hasteando um guarda-chuva preto sobre a sua cabeça, o famoso ídolo pop circula pelas ruas de Salvador neste Carnaval. Segunda-feira, passou pelo Campo Grande, logo depois do bloco Muquiranas, e causou grande alvoroço. Mas manteve aquele ar de “me deixe sozinho (Let me alone)”

Os meninos apontam e correm para ver. As meninas gritam e tentam furar o cerco para, pelo menos, tocar-lhe o braço, que era preto, ainda não é branco, mas está em irrefreável processo de branqueamento. Nós somos as crianças (We are the children), parecem gritar. 

As mulheres-maravilha das Muquiranas fazem escândalo e pulam sobre os 15 rapazes de óculos escuros, camisa branca de manga comprida, que protegem o artista. O cara é meu (The guy is mine), berram.

Os braços magros não aguentam a pressão das mulheres-maravilha. Resultado: a corrente se quebra, a rodinha se abre, alguns seguranças ficam embaixo da montanha de Muquiranas fedidas a suor e cerveja.

E, para minha alegria, Michael Jackson fica livre para entrar na área. Frente a frente com o goleiro, eu – que não vi Rolling Stones, no Rio, nem entrevistei Bono Vox, na Bahia –, tenho que caprichar no lance. Começo chutando devagar. Quem quer pegar galinha não diz “xô”

 

 

“Estou light”

 

 É seu primeiro Carnaval em Salvador?

 

Michael Jackson – Não. Já estive aqui outras vezes…

 

Quantas?

 

Umas duas ou três.

 

O que está achando do Carnaval

 

Ótimo.

 

Como você lida com todo este assédio de fãs,  apertos, correrias, falta de privacidade?

 

É muito complicado. Mas é muito gratificante ver meninos com este (aponta para um garoto de uns 7 anos que lhe pede autografo e puxa sua camisa suada).

 

Por falar em assédio, o que me diz das acusações de pedofilia…?

Isso não acontece mais. Agora estou – como se diz? – light.

 

Quando teremos disco novo?

 

Em fevereiro, quer dizer, no fim deste mês.

 

Qual o nome?

 

É uma coletânea. Ainda não defini como vai se chamar.

 

Falando em nome, qual o seu verdadeiro nome

Ivanildo Conceição 

 

Qual a sua idade?

24.

 

O que você faz?

 

Sou operador de máquinas.

 

Onde?

 

Na Copiadora Frente e Verso.

 

Coincidência! Desde quando você faz cópia?

 

Na copiadora?

 

Não, de Michael Jackson…

 

Ah, desde pequeno. Eu tenho tudo dele, disco, fotos, reportagem, modelos de roupa. Faço show como cover, e, no Carnaval, resolvi fazer esta performance.

 

 

 

Recado a Michael Jackson:  A reportagem acima foi publicada em pleno Carnaval, dia 01/03/2006, no Jornal A TARDE, o mais importante da Bahia e um dos maiores do Norte e Nordeste do Brasil. O projeto do jornal para a época previa uso de pseudônimo para os repórteres. Por isso, assino a matéria com o nome de Chiquito Superbacana, uma alusão ao meu filho Chico e a Caetano Veloso, autor do frevo A filha da Chiquita Bacana e da tropicalista  Superbacana.

Publico a reportagem agora aqui como homenagem póstuma a você, man.

Valeu Michael! (Adilson Borges)

 

 

 

 

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Em defesa das profissões e da sociedade

Posted in Coração by adilson borges on 9 de julho de 2009

diploma 2pelo diplomaA luta pelo diploma de jornalismo continua.

Segundo o site Comunique-se, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) acaba de apresentar Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece a necessidade do curso superior em jornalismo para o exercício da profissão.

Veja a íntegra da matéria do Comunique-se;

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou nesta quarta-feira (08/07) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece a necessidade do curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Para a apresentação da proposta, foram recolhidas 191 assinaturas, 20 a mais que o mínimo necessário.
“Foi extremamente importante a rápida reação da sociedade, desaprovando o absurdo cometido pela Corte Suprema brasileira, e que abriu precedente para a desregulamentação de outras profissões”, comentou o deputado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade do diploma.
Pimenta defende a volta da obrigatoriedade do diploma porque, em sua opinião, o jornalismo não se trata de uma “simples prestação de informação”.
“Essa atividade é mais do que a simples prestação de informação ou a emissão de uma opinião pessoal. Ela influencia na decisão dos receptores da informação, por isso não pode ser exercida por pessoas sem aptidão técnica e ética”, afirmou.
No dia 01/07, o senador Antônio Carlos Valadares também apresentou, na outra Casa parlamentar, PEC que pede o retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

O feijão e o sonho na Portela

Posted in Coração by adilson borges on 6 de julho de 2009

 

A Portela abre as asas sobre nós

A Portela abre as asas sobre nós

 

Quem consultar meu coração vai encontrar, agora, uma visita a Portela. Portanto, senhores médicos, não deixem o novo baticum assustá-los. No último 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos e um sábado de temperatura amena, fui, enfim, a uma quadra de escola de samba do Rio de Janeiro. O espírito e o corpo se elevaram na festa do Grêmio Recreativo e Escola de Samba da Portela.

 

Caí na feijoada bem-feita pelas descendentes das tias Ciatas, as baianas que teriam levado o samba para as terras cariocas. Uma surpresa, pelo menos para mim que esperava o tradicional pretinho do Rio: foi servido o feijão mulatinho, com cheiro e gosto dos pratos originalmente só confeccionados nos bairros populares de Salvador.  Há muito tempo, no entanto, os vips da capital baiana aderiram à tradicional feijoada, com suas carnes salgadas e frescas, sobretudo as consideradas de segunda categoria devido à boa consistência, além dos embutidos, como chouriços e calabresas.

 

As suculentas bandas de laranjas, característica do prato carioca, acabaram com o sonho de uma tácita homenagem da Portela à Bahia. Disse adeus à filosofia, que só se sustenta com fome de reflexões, e sem pensar comi, comi, como há tempos não comia.

 

Barriga cheia, a alma ainda sedenta mas aplacada com cerveja voltou a abrir alas e a pedir passagem. Na quadra, os bambas e as bambas humilhavam, sem piedade, os não-iniciados, com volteios maravilhosos e impossíveis balanços de quadris. Difíceis até de acompanhar com os olhos, os movimentos dos homens e mulheres do ramo eram amparados pelo lamento da cuíca, o assanho das cordas finas do cavaquinho, a masculinidade do violão e a contagiante disciplina da bateria da Portela de Paulinho da Viola.

Livre de todo mal, saí da quadra com um disco autografado pelo autor, o bom Monarco, compositor e cantor da velha guarda da escola fundada por Paulo da Portela. O valioso troféu foi obtido graças à gentileza do nosso cicerone, o historiador Fábio Conceição.

 Agora, estou pronto para conhecer a escola de samba do meu coração, a Mangueira, de Cartola e de Jamelão. Que o sonho, adiado nesta visita ao Rio, não demore de acontecer!

Joguem Ergon na fogueira e Viva São João!

Posted in Coração by adilson borges on 16 de junho de 2009
João Zoghbi, a mulher e obstaculos. Agência Brasil

João Zoghbi tentando driblar obstáculos, em foto de José Cruz/ABr

 

 

 

 

 Quem esperava uma bomba nas investigações sobre as mil e uma irregularidades nas contratações dos senadores pode tirar as mãos do ouvido porque vai ter que se contentar com um arranjado e silencioso xabu. O Senado já abriu processos contra um ex-diretor de recursos humanos da casa, João Carlos Zoghbi, que, ressalte-se, não é um exemplo de santidade. Um cão danado, todos a ele, diziam os mais velhos.

Tudo indica que está em curso um processo para que o ex-diretor seja usado como instrumento de expiação de todos os pecados dos nobres senadores. Em outras palavras, o projeto dos arranjadores de sempre seria despejar sobre as costas de Zoghbi a responsabilidade por todas as falcatruas da Casa.

 Cite-se, como exemplo, o caso de José Sarney (do PMDB), que recebeu durante mais de um ano R$3.800 mensais como auxílio-moradia, destinado aos parlamentares sem imóvel no Distrito Federal. O honorável tem casa própria e, na qualidade de presidente do Senado, mora numa mansão, em Brasília.

Com o processo, o ex-diretor, funcionário efetivo, pode ser demitido da Casa e perder o direito à aposentadoria, que está pleiteando. Transformar o ex-diretor no Zoghbi expiatório não parece muito difícil devido ao seu currículo. Pesa contra ele, entre outras, a acusação de ter usado uma ex-babá como “laranja” em uma empresa para abocanhar comissões de convênios assinados pelo Senado. O ex-diretor receberia as comissões por autorizar empréstimos consignados a funcionários acima do valor das parcelas permitidas pela legalização, de 30% do salário.

Servidores responsáveis por realizar o desconto em folha dos empréstimos confirmaram a ilegalidade. E o próprio advogado de Zoghbi, Antonio Carlos de Almeida Castro, admitiu que seu cliente adotava esta prática. Mas fez uma declaração preocupante, que merece rígida investigação – o problema é saber quem investigaria. “O Senado inteiro sabia que isso era feito desta forma”, denunciou o advogado.

Baseado em depoimento no processo contra Zoghbi, o primeiro secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), determinou ainda a instauração de comissão de sindicância para investigar as supostas irregularidades que poderiam ter sido cometidas pelos servidores responsáveis pelo sistema de folha de pagamentos, chamado de Ergon. O sistema é visto como uma caixa-preta, e sua abertura revelaria outros problemas relativos ao funcionamento da casa dos senadores.

Pronto. Está aí outro bode expiatório. Se o nome do ex-diretor não colar, o Senado pode por a culpa em Ergon. Sistema de folha de pagamentos não se defende. Nem faz denúncia, como o defensor do xará do santo.

Coitado de São João!

Quem Fala?

Posted in Coração by adilson borges on 9 de junho de 2009

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Eu, meu filho Chico e minha mulher, Marília. Férias de 2008. Sete meses depois, sairia o diagnóstico gelado sobre o grau de entupimento de minhas artérias: totalmente demais.
Sou Adilson Borges, 56, jornalista, radialista e músico e funcionário público estatutário.
Após descobrir, de repente não mais que de repente, que, no mínimo, flertava com o infarto, fui revascularizado (duas pontes de safena e uma mamária) e decidi construir este blog para combater os inimigos e  ajudar os amigos do coração.
Prometo atualizá-lo pelo menos duas vezes por semana, segunda e quinta. Pra quem tem coração!

Amaciando a máquina com pijama curto

Posted in Coração by adilson borges on 9 de junho de 2009

pijama 3 Depois de assistir a uma estripulia que executei no hospital poucos dias após a cirurgia que inaugurou em meu peito duas pontes de safena e uma mamária, o técnico em enfermagem Dêison França deu-me um sábio conselho: “Vá devagar, seu Adilson, a máquina está nova, tem que ser amaciada antes de pisar fundo”.

 Um parêntese. Atendendo a pedidos de pacientes leitores, voltamos ao tema do coração, razão primeira deste blog, que se permite divagar por outras áreas. Nesta volta, temos a satisfação de fazer homenagem ao trabalhador de saúde desconhecido, um profissional tão importante quanto desvalorizado neste país que ainda está se lixando para os trabalhadores. Fecha parêntese.

 A tentativa de remover uma mesa pesada, apesar das rodinhas na base, me causou uma dor, insuportável e difusa, em todo o tronco. A atitude louca que surpreendeu o técnico causou espécie, como se dizia antigamente, em mim também. A discrepância entre os desejos e os limites do corpo, apesar de frequente na história dos humanos, sempre provoca espanto. E na maioria das vezes humilha, mas deixa boas lições contra a onipotência…

Pacientes e superpacientes

Com jeito de técnico e nome de jogador de futebol, Dêison França descreveu-me a diversidade de comportamento no pós-operatório de pessoas que passaram pela cirurgia de ponte de safena e mamária. Há quem levante, no dia seguinte à chegada ao apartamento, após a saída da unidade de tratamento intensivo. Mas há também quem, temeroso de que os pontos da cirurgia se desmanchem como cadarços de tênis de adolescente, queira ficar 15 dias de molho, o que retarda a recuperação.

 “Cama só para dormir”, este é o lema dos médicos e fisioterapeutas. Se não há nenhuma intercorrência, os revascularizados devem entrar logo em atividades – compatíveis com a situação, é claro, e evitando excessos. Toda a equipe de saúde absorve este conceito, simples, mas indispensável.

Ponta de estoque

“Está pronto para o banho, seu Adilson?”, nos primeiros dias, ouvia de manhã o chamado de Dulcinéia, técnica em enfermagem de quem já falei no texto “O dia da Alta”, um dos primeiros posts deste blog. Ainda na primeira semana, sentindo-me forte, levantei mais cedo, fiz a barba crescida desde a cirurgia, peguei o chuveirinho e me banhei com os jorros delgados da água que, com algum esforço, consegui regular na deliciosa temperatura morna.

Depois de tanto esforço, acomodei-me numa poltrona com um ar de quase felicidade, a despeito da noite maldormida. Barbeado, usava um pijama moderno, mas opressivo principalmente para o tamanho da minha barriga e dos ombros. Mais tarde, Marília, minha mulher, que comprou para mim uma coleção de roupas para usar no hospital, contar-me-ia, sorrindo, a história daquele estranho duas-peças – calça azulada e camisa azul com desenhos alaranjados nas bordas.

 Marília já estava de saída da loja quando viu o preço daquele pijama bonito e em promoção. Fim de estoque, argumentou a vendedora da loja de departamentos. A cliente não resistiu e mandou embrulhar, sem atentar que a calça (grande demais) e a camisa eram (como dizer?) incompatíveis.

 A frase

 Dulce, como gosta de ser chamada Dulcinéia, chegou e me encontrou orgulhoso pela autonomia da barba e o banho da independência. “Oi, Dulce, hoje não vou precisar de você”, salientei, com a vaidade de quem tem certeza de que merece elogios. Que legal, reagiu, discreta e amavelmente, ao arrumar a cama.

 Na saída, no entanto, olhou atentamente para a blusa apertadinha, com bainhas cor de sukita de laranja, bem gelada. Foi obrigada, então, a morder os lábios para não gargalhar. Situação controlada, a baiana Dulce esboçou apenas leve sorriso em direção ao paciente. Mas deixou escapar frase com gíria da moda na periferia de Salvador: “Com este pijama, seu Adilson está todo se bulino!”

2014, a odisséia dos donos da bola

Posted in Coração by adilson borges on 3 de junho de 2009

O alvoroço é total entre os políticos nos estados onde vai rolar a bola da Copa de 2014. Na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT), com a autoridade que lhe foi conferida pelo povo e o esforço que despendeu para trazer a disputa para Salvador, avança firme na área e começa a chutar para o gol, no ano que vem, quando disputa a reeleição. Na propaganda da televisão, chega a dizer que as obras necessárias à grande disputa vão ficar na capital baiana após os jogos da Copa do Mundo. É óbvio. Alguém pensou que seriam derrubadas?

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), chuta as sandálias da humildade, amarra as chuteiras e veste calções. Arrumadinho e esbanjando preparação física, faz embaixadas no campo do governo estadual, do qual participa com atletas por ele escalados – o vice-governador Edmundo Pereira e os secretários da Indústria, Comércio e Mineração, Rafael Amoedo, e da Infra-Estrutura, Batista Neves. Sem falar no pai de  Geddel, Afrísio Vieira Lima, presidente da Junta Comercial da Bahia (Juceb)

Geddel, que nunca escondeu a vontade de ser dirigente estadual, posiciona-se como embaixador na atração da Copa para a área do seu principal atacante, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), que também está de olho no governo estadual.

Não é à toa tanto alvoroço. Afinal, todos sabem que futebol e política andam de mãos (e pés) dadas. Na Bahia, por exemplo, quem há de negar a força que o gramado deu à carreira parlamentar  de nomes como Osório Vilas-Boas, Paulo Carneiro, Marcelo Guimarães, Fernando Schmidt?  Ninguém.

Mas é equivocada a visão que, automaticamente, transfere para as urnas o sucesso de quem se deu bem no (e com) futebol. A bola ajuda, é claro, disso ninguém duvida, mas não é tudo. Procede melhor quem segue o adágio “faça por ti que eu ajudarei”. Vejamos três exemplos:

 O Brasil perdeu a Copa de 1998.  Mas nas eleições daquele ano saiu vitorioso quem estava no poder, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o inaugurador das reeleições no processo político brasileiro.

O Brasil ganhou a Copa de 2002 e sagrou-se pentacampeão mundial. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso tentou faturar o episódio elegendo um correligionário do PSDB, o economista José Serra. Foi derrotado fragorosamente pelo metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

Em 2006, o Brasil perdeu a Copa. Mas Lula foi reeleito presidente, derrotando outro tucano, Geraldo Alckmin, apesar do PT que atrapalhou bastante, sobretudo com o escândalo do mensalão.

A história, mãe de toda sabedoria, mostra, portanto, que a bola quando está com os pernas-de-pau da política pode até atrapalhar mais do que ajudar. E que é preciso estar atento a outras instâncias das necessidades do povo, que gosta mais de pão do que de circo, para evitar o risco do gol contra.

(Adilson Borges)

Quando dois bicudos se beijam

Posted in Coração by adilson borges on 27 de maio de 2009
Chavez, Lula e Grabielli, foto da Mercopress.com

Chávez, Lula e Gabrielli, em foto da Mercopress.com

Coisa engraçada é ouvir o barbudo Lula e o barrigudo Hugo Chávez dizerem que se reúnem a cada três meses para discutir a relação entre eles. Menos engraçado é ver quer o caso dos dois bicudos presidentes latino-americanos está mais complicado do que tentam demonstrar.

 Eles agem como um casal em crise. São polidos ao receber visita, mas na intimidade do lar, quando a porta se fecha e os visitantes vão embora, o couro come. Hoje (26 maio 2009), ao se reunir em Salvador, a dupla tentou inutilmente chegar a um acordo entre a PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, e a Petrobras, para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Por um equívoco, o sistema de som permitiu acesso à reservada conversa entre os presidentes do Brasil e da Venezuela e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli . O diálogo mostra que Lula e Chávez falavam línguas diferentes – é claro que não estamos nos referindo ao português do nosso mandatário nem ao espanhol do mandatário venezuelano.

Como um casal litigioso, cada um ressaltou as suas respectivas qualidades, e culparam-se reciprocamente pelo malogro do entendimento. “Lamentável não sermos capazes de fazer um acordo. Confesso que estou frustrado”, reagiu Chávez.

 Lula, aparentemente menos tenso, apelou para brincadeira: “Se eu conseguir eleger a Dilma, eu já disse para o Gabrielli, eu vou ser o presidente da Petrobras e você, Gabrielli, vai ser meu assessor e o acordo (com a Venezuela) vai sair”.

 “E eu vou fazer o quê? Eu não quero fazer nada”, respondeu Chávez, talvez se lembrando da frase “Por que não te calas?” jogada contra ele pelo Rei da Espanha Juan Carlos, na XVII Cúpula Iberoamericana realizada no Chile, em 10 de novembro de 2007.

Onde mora a discórdia

 O presidente da Petrobras esclareceu que há, pelos menos três pontos, travando o consenso entre Brasil e Venezuela : custos de investimento, comercialização do produto e o preço do petróleo. Gabrielli pediu mais 90 dias para discutir essas questões.

 A verdade, no entanto, é que este prazo talvez seja pouco. Segundo o jornal Estado de S. Paulo, “o governo venezuelano deveria entrar com 40% dos recursos para a construção da refinaria, mas até agora só o governo brasileiro investiu na obra. Isto porque a Venezuela tem feito exigências, como o direito de comercialização do petróleo importado no Brasil. Mas as regras brasileiras determinam que só quem pode vender internamente é a Petrobras”.

 O mercosul

 Ao discursar na cerimônia oficial, o presidente brasileiro admitiu as dificuldades em fechar o acordo com o colega venezuelano sobre a refinaria Abreu Lima, mas preferiu dar ênfase ao que de melhor conseguiram: um acordo de adequação de tarifas entre os dois países. Este consenso é um dos itens que emperram a entrada da Venezuela no Mercosul.

Por falar nisso, que coisa mais idiota esta resistência de alguns setores no Brasil quanto à entrada da Venezuela no Mercosul! A pretexto de não ampliar espaços políticos para o o presidente Hugo Chávez, os reacionários de sempre punem o povo venezuelano, e esquecem ou não querem lembrar que presidentes passam, mas fica a Venezuela – país econômica e politicamente importante para o Brasil de Lula.

Ou da candidata dele, a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Ou dos tucanos José Serra e Aécio Neves. Enfim, de quem vem por aí.

Zé Rodrix, os limites do campo e do corpo

Posted in Coração by adilson borges on 23 de maio de 2009

Eu quero uma casa no campo / Onde eu possa ficar do tamanho da paz / E tenha somente a certeza / Dos limites do corpo e nada mais  (Casa  no Campo, de Zé Rodrix e Tavito)

 

 A morte do cantor e compositor Zé Rodrix esquenta o debate sobre a prevenção das doenças cardíacas. O  autor de Casa de Campo  morreu na quinta-feira (21de maio) de infarto no miocárdio, aos 61 anos .  Mas segundo familiares e amigos, ele recentemente fez check up e estava tudo normal.

 Zé Rodrix estava em casa, com a família, quando passou mal. Foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, na capital paulista, onde morreu. Ainda são escassas as informações sobre o estado de saúde que levou o compositor à morte. Mas segundo a família, Rodrix estava muito bem de saúde e cheio de planos para a carreira de músico e publicitário. O corpo deve ser cremado neste sábado (23).

“Qualquer um pode morrer atropelado, mas aquele que anda de bicicleta todos os dias, sem capacete, sem nada, as chances aumentam muito mais”, disse recentemente o médico cirurgião João Lucas O ‘Connell, em entrevista ao Correio de Uberlândia , de Minas Gerais.

O mesmo argumento, em defesa da prevenção, consta em entrevista do doutor Mario Cerci concedida ao site Hospital do Coração e republicada dia 8 de maio aqui no Coisas do Coração.

“Todas as pessoas, com o passar da idade, vão tendo maior chance de ter um infarto. Então, essas pessoas têm que procurar um cardiologista periodicamente, dosar o colesterol, dosar a glicemia para ver se não é diabético, adotar a prática de exercício supervisionada, orientada por um cardiologista, previamente”, orienta o cardiologista. “Quem seguir essas linhas, terá uma chance muito menor de sofrer complicações cardiovasculares”.

 

 

Cante “Casa no Campo” com Zé Rodrix:

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais

 

 

 

 

 

 

Mamãe, eu quero mamária! – número 2

Posted in Coração by adilson borges on 19 de maio de 2009
No meio caminho do Sul da Bahia, placa acaba com sede dos viajantes...

No caminho do Sul da Bahia, placa acentua a necessidade de cuidados com o que se bebe...

 

Água boa, além de  sombra fresca, em Itacaré

Em Itacaré, o visitante encontra muita tranquilidade, sombra e água boa

Caderno de autoajuda:

 

1) Trabalho? É permitido proibir

 

A decisão de não trabalhar no Carnaval, pela primeira vez em mais de 15 anos, foi difícil. Silenciosamente, tentei ignorar o resultado do cateterismo e a cirurgia marcada para o dia 27 de março. Argumentava intimamente que trabalhar no Carnaval me faria pensar menos em tudo isso. De quebra, gosto tanto da folia de Salvador e de escrever sobre ela, sobretudo no novo projeto do jornal, que me divirto enquanto trabalho.

A atividade profissional, aliás, ajudou-me bastante a enfrentar o diagnóstico das artérias silenciosamente entupidas. Por isso, agradeci comovido, mas recusei, a sugestão de um gestor da empresa de tirar uns dias antes da cirurgia para descansar. Mas trabalhar ou não trabalhar no Carnaval, essa era minha questão.         

“Eu, na qualidade de seu médico, o proíbo de trabalhar no Carnaval, Adilson”, proclamou o cirurgião Nilzo Ribeiro, com seu jeito de falar dando ênfase ao nome do interlocutor. Acho que pensei em contestar por contestar, mas a autoridade do doutor Nilzo é incontestável…

Então, mudei de assunto e falei sobre alguns aspectos da cirurgia, principalmente dos riscos da colocação de duas pontes de safena e uma mamária no meu peito, até então virgem de queixas e de dor. “Só se houver uma fatalidade determinada por Deus ou imperícia de minha parte”, tranqüilizou o cirurgião.  “O risco é zero, eu garanto, medroso”, ironizou afetuosamente, como sempre fizera, com a minha frouxidão. Não vou trabalhar este Carnaval, saí decidido do consultório de Nilzo Ribeiro.

2) Se acordar morto, finja que é sonho. Deus perdoa a inocência!

Dias depois, quando estava na estrada, com Marília e Chico, a caminho de Ilhéus e já pensando em escapulidas em Canavieiras e Itacaré, lembrei que a primeira reação profissional contra minha ideia de trabalhar no Carnaval veio da cardiologista Maria de Fátima Castro. “Eu não recomendaria”, disse a doutora, que me conduziu ao cateterismo, após exames ergométricos e de cintilografia, e, por fim, ao bisturi do cirurgião.

Achei tão débil a proibição que insisti, fingindo estar brincando: “Por que não? Até há poucos dias não sabia de nada sobre o meu coração, e continuo trabalhando…” Ela então lembrou que tudo mudou, aquilo que eu não sabia passei a saber. E, triunfante, finalizou com filosofia popular: “Deus perdoa os inocentes!”