Coisas do Coração

A cor do cavalo branco na lua

Posted in Coração by adilson borges on 11 de setembro de 2009

cavalo brancoMeu avô tinha um belo cavalo branco. Certa vez, o Circo Mágico Thyani (acho que a grafia é assim) alugou (ou seria melhor dizer “locou”, como está na moda?) o animal para participar do grande show. O mágico de cabelo engomado cobria o alasão com um cobertor. Depois, fazia uma mesura e jogava para cima o pano, que aterrissava no picadeiro como uma arraia branca cola na areia no fundo do mar. O cavalo de Bráulio, meu avô, para onde ia?    

Revejo-me menino disposto, um dia, a acabar o mistério.  Levanto da cadeira desconfortável e saio correndo do circo. Chego, logo, à área externa da lona, nas proximidades da tradicional Feira de São Joaquim, que monopolizava o abastecimento em Salvador antes do advento dos super e hipermercados.

O trote me faz respirar com dificuldade, mas o frio da noite de lua me acalma rápido. Respiro fundo e olho para o cavalo mordiscando o capim esturricado.

 

Como foi teletransportado, nunca saberei. Mas sei que nunca esquecerei a imagem enluarada do animal pastando, sem filosofia, indiferente às palmas que ajudou a provocar com o seu sumiço!

4 Respostas

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  1. Adelzuita said, on 11 de setembro de 2009 at 09:05

    Lendo o blog, me senti transportada a um passado distante e lindo quando olhava orgulhosa o cavalo do meu avô no picadeiro do circo; aparecendo e desaparecendo como num sonho lindo. Com meu avô, aprendi que para ser grande, forte, sustentáculo de uma família, não precisava ser importante (se for ótimo), mas amar muito, sempre, sem nenhuma imposição; em resumo: superamar, sempre amar. Beijos

  2. adilson borges said, on 12 de setembro de 2009 at 01:01

    A memória é um cofre-forte que causa surpresas (agradáveis ou não) quando se abre. Beijos

  3. Emiliano said, on 18 de setembro de 2009 at 13:05

    É pena que hoje o alvoroço das palmas seja contantemente calado pelo grito do silêncio do medo, os onibus peguem fogo e as ruas suem a som de pistola.
    Mas não desisto, prefiro dizer a Danúbia. “Vamos ao circo! O palhaço só é ladrão de mulher!”

  4. holistika said, on 20 de novembro de 2009 at 07:00

    Cavalo branco, preto ou baio, não interessa. O que chama atenção no texto, aliás, no blog, é seu dom literário. Você não acha que já está na hora de se dedicar mais ao seu talento para as letras? Escreva um livro, meu amigo! Eu prometo que compro um na noite de autógrafos. Vá escrever bem assim lá na casa de Marília, sinhô! Beijos, Marcia


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